Criada há oito anos, a Cooperfran (Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Franca e região) é responsável por separar e revender o lixo para reciclagem recolhido das ruas da cidade. Mantida por uma parceria da Prefeitura com a Pastoral do Menor, a cooperativa é o meio de sustento de 43 pessoas que, por mês, ganham R$ 600 com o trabalho.
Se houvesse uma quantidade de lixo para reciclar, o rendimento poderia ser maior e mais pessoas poderiam ser contratadas, diz a diretora da Cooperfran, Francislane Costa Alves. “Todo dia tem pelo menos cinco pessoas pedindo emprego na cooperativa, mas não temos como atender a todos”.
Segundo a diretora da Cooperfran, hoje, quatro caminhões fazem a coleta seletiva nas ruas de Franca. O trabalho começa às 7 horas e segue até por volta das 16h30. Cada veículo faz um setor da cidade, que muda conforme o dia da semana. Os materiais recolhidos são levados para a cooperativa, onde passam por uma triagem realizada pelos catadores. Em seguida, o lixo é prensado em fardos e vendido como reciclado. “Por dia cada caminhão faz uma média de duas viagens”, diz Francislane.
Secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares disse que em bairros periféricos a quantidade de lixo recolhida na coleta seletiva é maior, porém não há consciência na separação. Diferente do que acontece na região central. “A população tem ciência da existência da coleta seletiva, mas ainda não separa o lixo como deveria”.
Para Ismar, o favorecimento do lado socioecônomico da reciclagem é apenas um benefícios proporcionados pela separação do lixo. “Além de ajudar o meio ambiente, colaborar com a vida útil dos aterros sanitários, a reciclagem gera emprego e renda”.
<b>O QUE VEM DO LIXO</b>
Das sete toneladas diárias que chegam na Cooperfran, 20% acabam descartadas. Do restante, os catadores conseguem recuperar seis mil pets por mês, 360 mil quilos de papel por semana, mais de quatro mil quilos de plástico duro a cada 15 dias e 4,5 mil quilos de ferro a cada duas semanas. “O total de vidro e ferro ainda é pequeno, diferente da quantidade de garrafas pets e papelão”, disse a diretora da cooperativa.
Segundo a assessoria de imprensa do Cempre - ONG que trabalha a importância da reciclagem - o Brasil alcançou o maior índice, 22%, de reciclagem de lixo urbano seco (papel, plástico, metais, vidro) de países em desenvolvimento. No País, ao todo são 800 mil catadores de lixo reciclável que fazem parte da cadeia da coleta seletiva do lixo. Segundo o Cempre, a indústria da reciclagem brasileira fatura cerca de R$ 10 bilhões.
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