A agitação nas ruas de Ibiraci começou às 14h30 de ontem quando Gilberto Florêncio Faria, advogado de Tonin Garcia (PMDB), deixou o cartório eleitoral - onde foi anunciada a cassação do então prefeito de Ibiraci (MG) Ismael Silva Cândido (PT) e seu vice. O céu da cidade se encheu de fogos na comemoração por parte dos opositores de Ismael que se estendeu por toda a tarde e terminou com uma carreata pelas ruas do município no início da noite.
Músicas que embalaram a campanha peemedebista em 2008 e bandeiras com o número e o slogan do partido, guardadas desde a última eleição, deram um clima de pleito fora de hora à cidade. O som era gritado por possantes caixas de som de dezenas de veículos que iam e vinham pelas ruas do município estacionando vez ou outra em frente à chácara de Tonin, na Avenida Maria José da Cunha, no Centro.
No interior da propriedade, aproximadamente 200 pessoas se reuniam em torno do político, conversando e dando os parabéns pelo resultado da ação. Não houve churrasco, nem bebidas alcoólicas. “Festejamos em paz”, disse o político.
A segurança, aliás, foi lembrada diversas vezes pelo ex-candidato a prefeito em seu discurso. E nunca se viu tantos policiais nas ruas de Ibiraci. O objetivo era evitar que a festa se transformasse em confusão como aconteceu durante a comemoração da reeleição de Ismael Cândido em outubro de 2008. Na ocasião, um estudante de 11 anos morreu e outras três foram feridas a tiros no meio da rua.
Às 19h10, cerca de 80 veículos se alinharam a uma carreata que percorreu durante uma hora as principais ruas da vizinha cidade mineira. Era o anúncio de que a festa estava no fim.
<b>POPULAÇÃO</b>
Os carros que desfilavam em fila indiana pelo asfalto eram acompanhados por aplausos, música, fogos e também olhares desconfiados. Nas calçadas, pequenos grupos de três, quatro, às vezes, cinco pessoas comentavam a decisão da Justiça. A maioria aprovava. “A gente não sabe bem o que aconteceu, só que o Ismael estava envolvido com o esquema de compra de votos”, disse um aposentado de 65 anos que pediu para não ser identificado.
Encontrar quem se declarasse correligionário ou mesmo simpatizante do prefeito cassado foi mais difícil. Mas, não impossível. O Comércio acompanhou a reação da população ibiraciense durante aproximadamente cinco horas e conversou com 32 pessoas que participaram da festa ou assistiam à carreata. Dez delas afirmaram ainda confiar no político. “Votei nele. Eu, minha família e mais 3,5 mil pessoas. Ainda estamos sem entender e preferimos esperar para ouvir o que ele vai dizer antes de julgar. Mas, da honestidade dele ninguém duvida”, afirmou uma funcionária pública de 27 anos que também preferiu o anonimato.
Ismael Cândido foi procurado à tarde no prédio da Prefeitura e à noite - às 18h30 e às 20 horas - na casa onde mora sua mãe no Centro da cidade, além de vários telefonemas,mas não foi encontrado.
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