A reposição de produtos nas lojas após as vendas de Natal, a reação do mercado interno e a antecipação da coleção de inverno turbinaram a produção nas indústrias de calçados em janeiro. Com isso, as fábricas que tradicionalmente começam a admitir após as negociações salariais da categoria - geralmente entre fevereiro e março - tiveram que recorrer à mão-de-obra num período em que normalmente estariam demitindo. O cenário atípico foi divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho. Segundo as estatísticas, o desempenho da indústria francana em janeiro de 2010 bateu o recorde para o mês desde que os dados de emprego e desemprego passaram a ser contabilizados, há onze anos. No mês, foram abertos 1.933 postos de trabalho pela indústria.
O resultado não causou surpresa. Essa boa perspectiva no setor começou em dezembro, quando boa parte das fábricas deixou de dar férias coletivas aos funcionários por conta do volume de pedidos. As empresas mal esperaram a realização da Couromoda para apresentar suas coleções outono/inverno aos lojistas. “Nunca havia fechado um pedido em dezembro para o mês de janeiro. E isso aconteceu”, disse Jaime Borges, diretor da Calçados Stefanello.
Para dar conta da demanda de 800 pares dias, a Stefanello reforçou seu quadro de funcionários. Contratou 45 pessoas e não tem planos de demitir. Nos últimos dias, a fábrica tem trabalhado em ritmo acelerado. Não parou no Carnaval para atender aos pedidos de botas, que calçarão, em sua maioria, os brasileiros no período de inverno.
A Calçados Abruzzo também começou 2010 produzindo. A empresa, que atende o mercado interno, passou o primeiro mês do ano confeccionado 150 pares de calçados por dia para atender ao pedido de botas programado para a primeira quinzena de fevereiro. O proprietário Antônio José Gonçalves disse que tem vendas fechadas até abril. “Vamos ampliar a produção para 250 pares/dia”, disse, sem revelar o número de pessoas que já contratou neste ano.
O diretor da Calçados 2R, Ricardo Vivan, atribuiu o bom momento no setor às vendas do final de 2009. Isso contribuiu para que, em janeiro, a empresa trabalhasse na reposição de estoques das lojas em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Além disso, a 2R já começou a fabricar botas para atender aos pedidos da coleção de inverno. “A meta é ampliar em 30% a produção diária que hoje é de 300 pares. Se isso se confirmar, as novas admissões estão garantidas”.
Apesar de não ter em mãos as estatísticas de quanto a indústria produziu em janeiro, o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, acredita que o mercado interno está forte e a tendência é de recuperação dos postos de emprego. “Perdemos onze mil empregos na indústria com a crise. Acredito que já neste primeiro trimestre esses postos serão recuperados e, até o final do ano, vamos alcançar a marca de 30 mil trabalhadores (hoje são 27 mil)”.
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