A terceira tentação


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Finda-se o carnaval e inicia-se novo período na rotina da cristandade - a Quaresma - cujos quarenta dias apontam para a ressurreição de aCristo, na comemoração de Páscoa. Em Zacarias capítulo 9, após o versículo 8, segue um subtítulo ‘O rei humilde de Sião e o seu vasto domínio’. O versículo 9 e seguintes, apontam para a boa notícia da chegada de um rei justo e que trará a paz e a salvação, porém, vem montado num jumentinho. Mas como poderia alguém exultar-se, alegrar-se com um rei,e, portanto, um líder, que chega montado num animal que em nada exprime a grandeza e a majestade de um rei? O texto acrescenta outros detalhes acerca desse rei ao afirmar que os carros e as armas de guerra entrarão em desuso, mas que seu império se estenderá de mar a mar, até as extremidades da terra. Interessante que o Jesus humilde, manso, desprovido de bens materiais, Deus encarnado no meio de nós como a um de nós está se distanciando cada vez mais dos cristãos, ou seriam os cristãos que estariam a se distanciarem Dele? Jesus, na boca e no entendimento de muitos pregadores, não multiplicou os pães, apenas partilhou. Reuniu os pães que estavam na posse das pessoas presentes. Não houve o milagre da multiplicação. Também não houve a cura do leproso. O que Jesus fez foi incluir o leproso no meio social, já que naquela época os leprosos eram excluídos do convívio com a sociedade. A mentalidade ‘mágica’ não combina com o século XXI, é o que dizem. Houve uma inversão de valores. Atualmente a ciência é absoluta e a fé é relativa, diz o padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior. O Cardeal Josef Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, escreveu ‘Jesus de Nazaré’, livro que deveria ser estudado por aqueles que buscam saber em que labirintos se perderam o Cristo e a fé. Ele apreende a seguinte realidade: ‘(...) Deus desapareceu, do que se trata é apenas do homem’; ‘Deus desapareceu. Ele já não é nem utilizado, nem incomodado’. No capítulo 4 do Evangelho de Mateus, estão descritas as tentações pelas quais Jesus passou, além da astúcia e do profundo conhecimento demonstrado pelo diabo acerca da bíblia, pode trazer também algum esclarecimento acerca do Cristo que andam ensinando por ai. Pasmem, o diabo é teólogo! Pois bem, a terceira tentação é a que interessa no momento: o diabo conduz Jesus até a um monte muito alto e mostra-Lhe todos os reinos da terra e toda a sua glória, convidando o Mestre a adorá-lo e em troca, tudo aquilo seria Seu. A resposta todos conhecem: “Vai-te satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás’. Isso pode explicar o motivo de as igrejas estarem lotadas mas os corações, vazios de Jesus. Recortaram a Palavra de Deus e utilizaram os recortes que mais se adaptam ao mundo e à política da dominação. Agora não é mais a criatura que deve se submeter à vontade do Criador, mas a vontade de Deus é que deve satisfazer a todos os anseios humanos. O Reino do mundo tende a prevalecer. Só que Jesus Cristo é Senhor dos Céus e da Terra. Deus, o Criador, Senhor e Justo Possuidor de tudo o que há no Universo, é obrigado a satisfazer e a se adaptar aos homens, e não esses a Ele. Um alemão jesuíta disse uma frase muito apropriada a respeito dessas ‘teologias da escravidão’, tão em voga atualmente: ‘O pão é importante, a liberdade é mais importante, mas o mais importante de tudo é a adoração’. Nadir Ap. Cabral Bernardino Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental

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