Assim que começou a chover na tarde de terça-feira, 16, o pintor Luciano Volpe, 49, fechou a porta do bar onde estava com seus pais - donos do local - e mais dois clientes, no Jardim Alvorada, porque a água estava invadindo o cômodo. O granizo, raios e rajadas de vento assustaram, mas a surpresa foi maior quando Luciano reabriu a porta do estabelecimento e encontrou todo telhado do posto de combustíveis que fica em frente no chão. “Só escutamos um estrondo. Parecia que tinham explodido uma dinamite aqui de tão forte que foi o barulho. Só que ninguém entendia o que tinha acontecido. Quando a chuva acalmou, abri a porta e vi aquela anarquia”, disse Luciano, com a voz embargada. O bar fica no térreo do sobrado onde reside, na Rua José Peixoto, que ficou tomada pela cobertura do posto, derrubada durante o temporal.
A Zona Sul da cidade foi a mais prejudicada pelos 40 minutos de chuva. Além do telhado do posto, que fica em frente ao Comfort Hotel, na Avenida Reynaldo Chioca, os ventos de 65 km/h e a chuva de granizo derrubaram três outdoors no mesmo endereço e destelharam casas no Jardim Aeroporto. Quatro árvores caíram na Avenida Paulo VI e houve pontos de alagamento. Não houve vítimas. Galhos de árvores danificaram a rede e provocaram interrupção de energia em bairros como Aeroporto, Ângela Rosa, Alvorada e Vila Europa.
Eram por volta das 16 horas quando o temporal começou. Em poucos minutos, a enorme cobertura do posto, com 13 metros de largura por 42 de comprimento, caiu inteira na rua lateral ao estabelecimento. Os quatro pilares que a sustentavam não resistiram à força dos ventos. Os ferros e plásticos do telhado tomaram a Rua José Peixoto, deixando cinco imóveis obstruídos. A estrutura atingiu a parede e a marquise de um sobrado, mas ninguém se feriu. O telhado caiu sobre um Uno estacionado e deixou o veículo esmagado. Por sorte não havia ninguém dentro. Um dos frentistas ficou impressionado com a rapidez com que toda estrutura foi parar no chão. “O telhado começou a balançar e logo caiu. Foi tudo muito rápido. Graças a Deus, deu tempo da gente correr”, disse.
Carlos Alberto Santos, 73, e sua mulher Maria Aparecida, 67, moram no sobrado atingido pelo telhado. A estrutura que despencou deixou a saída do imóvel tampada. O casal ainda tenta se recuperar do susto. “Fiquei apavorado”, disse Carlos.
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O telhado destruído permaneceu na rua até ontem pela manhã. Eram 11 horas quando começaram a retirada dos destroços. Foi preciso cerrá-los para fazer a remoção. Até o fim da tarde, homens ainda trabalhavam na limpeza da área. Moradores comentaram que a estrutura era inadequada e por isso não sustentou o telhado. Os proprietários do posto não quiseram se pronunciar. Um homem que estava no local ontem e se identificou como advogado da empresa, mas se recusou a informar o próprio nome, disse que os donos estavam muito abalados. “Um perito avaliará o posto para saber quando voltará a operar”, disse.
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