No vermelho


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Recentemente tratamos aqui de tempo consumido em salão de cabeleireiro sobre diversos assuntos que nunca levam a lugar nenhum. Naquele caso era foco o BBB, excrescência oficializada e bem digerida por grande parte da população do Brasil. A cada edição aumenta o número de candidatos e apaixonados torcedores mostrando com clareza o estágio em que se encontra a cultura no País. Dado os resultados obtidos por seus vitoriosos nos eventos anteriores, não nos cabe tentar frustrar os desejos de pessoas pretendentes ao estrelismo da mina descoberta pela TV Globo. Afinal, resulta em forte exposição na mídia, bom acesso à fama, dinheiro e exibicionismo, ao gosto de muitos. Lamente-se, no entanto, milhares de pessoas embarcando no "conto do vigário" sem qualquer interesse, para receber somente como telespectadores, degradação e desvirtuamento, pelo que trocam economias em telefonemas com perda de tempo e dignidade. Voltando ao salão de beleza, um novo caso. O homem hoje já não se pode afirmar que sexo as pessoas têm pintava os cabelos exigindo da moça que o atendia cuidados de esmerado capricho. Seu longo discurso durante o processo de embelezamento foi extravasar vaidades e seus poderes. Contava à pequena platéia do embevecido instituto as atuais maravilhas do mundo, descrevendo o novo carro que acabara de adquirir e o avanço em automação integrado ao veículo. Afirmara, tudo representava a virada que o mundo deu em tecnologia. Sinalizar consumo, sensores de obstáculos, graduação de velocidade e tantos componentes a facilitar a vida, tudo segundo ele, beneficio para a humanidade: "É caro, mas vale à pena. É muito bom`. Sua moto, prosseguiu, era de marca famosa, mil e quinhentas cilindradas, projeto ultra avançado sobre duas rodas, eficaz em competições e dotado de instrumentos de absoluta segurança. Claro e transparentes, lá estava ele, um dos sete pecados capitais: a vaidade. Muitas vezes a ignorância e o egoísmo podem ser responsáveis pela prática da vaidade. Meditando sobre os motivos daquele pecador, a missa de domingo em sua homilia, aclarou-me dúvidas com a análise da carta de São Paulo aos Coríntios. "O Amor é paciente, é benigno; não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta". O pároco, cumprindo seu dever de bem orientar, folgou-se em alegria ao analisar a Carta de Paulo aos Coríntios: o caminho está na preservação da fé, esperança e caridade. Das traduções da Bíblia, uma registra: fé, esperança e amor. Outra: fé, esperança e caridade. Desfilando as grandes bolsas e os trajes inadequados na igreja, exige correção disciplinar e, esta, cabe ao gestor do território com coragem, assumindo a verdade: orientar. Toda empáfia, certamente registra saldo vermelho no banco. Copio com orgulho o ensinamento de Santo Agostinho: `Prefiro as críticas que me corrigem aos elogios que me corrompem`. Garcia Netto Jornalista

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