‘É bom manter uma reputação de que trabalha bem’


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Esta semana, a engenheira Mara Mendes dos Santos recebeu a reportagem na chácara de seus pais, na saída para Pedregulho, e contou como passou de esteticista em Franca a engenheira de produção da Boeing nos EUA. <b>Comércio - Quando você trocou Franca por Indianápolis?</b> <b>Mara</b> - Fui em 1998 para estudar enfermagem. Meu visto era de estudante. Seis meses depois me casei com um americano e pude ficar mais tempo. Lá você conhece alguém e três meses depois ele te chama para casar. O que aqui é difícil para as mulheres, lá é muito simples. <b>Comércio - E você trabalhava?</b> <b>Mara</b> - Sim. Em dois anos me tornei enfermeira. Trabalhei em hospitais e asilos. Lá há muitos. Eles não tomam conta dos pais como nós. Naquela época, minhas maiores dificuldades eram o idioma e a cultura. <b>Comércio - Como você teve contato com a aeronáutica?</b> <b>Mara</b> - Logo que consegui ganhar um pouco mais como enfermeira, decidi investir em uma carreira na aviação. Como enfermeira não ganhava o que eu necessitava. Fiz o curso de mecânica de interiores e de mecânica de estrutura e comecei a trabalhar em uma empresa que prestava serviço para a Boeing. <b>Comércio - Mas você não fez faculdade de engenharia?</b> <b>Mara</b> - Cheguei a fazer dois anos na Universidade de Indianápolis, mas não terminei. Os cursos que fiz pela Boeing e meus nove anos de experiência é que me colocam no mesmo nível deles como manufacturing engineer. Eles não pedem simplesmente que você seja uma engenheira. Se você mostrar serviço e eles gostarem, te qualificam da mesma forma e pagam o mesmo salário. <b>Comércio - Não teve problemas por ser brasileira?</b> <b>Mara</b> - Não. Sempre fui esforçada e tive muita ajuda. Tenho amigos engenheiros, mecânicos, supervisores... A Aviação é como uma cidade pequena. Em qualquer lugar do país em que ela exista, desde a manutenção até a produção, alguém te conhece. É muito bom você manter uma reputação de pessoa boa e que trabalha bem.

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