O homem por trás da batina


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<b>DIRETO DE SÃO PAULO</b> - O novo bispo de Franca Dom Pedro Luiz Stringhini atuou por 30 anos na capital e por nomeação do Papa Bento 16, assume no próximo dia 21 a Diocese de Franca
<b>DIRETO DE SÃO PAULO</b> - O novo bispo de Franca Dom Pedro Luiz Stringhini atuou por 30 anos na capital e por nomeação do Papa Bento 16, assume no próximo dia 21 a Diocese de Franca
<p style="text-align: justify; ">Dom Pedro Luiz Stringhini, 56, eleito para ser o terceiro bispo da Diocese de Franca, parece ter o dom de bem acolher o próximo. Carismático e bom locutor, ele tem a voz firme, mas tranqüila. Nesta última semana, ele se mudou para Franca, cidade sede da diocese para qual foi designado pelo Papa Bento XVI, em dezembro do ano passado. </p> <p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Como bispo auxiliar de São Paulo, onde atuou antes de ser nomeado para Franca, sempre esteve envolvido em questões públicas em defesa dos mais pobres. Assim que chegou a Franca se deparou com o drama das 12 pessoas que moram num buraco em prédio inacabado da Major Nicácio, situação denunciada em matérias deste Comércio deste a última quinta. Na manhã de ontem, sábado, o bispo esteve no local, conversou com os moradores do buraco e disse que o Poder Público e a igreja não podem ser omissos diante de uma situação desta. Ele deve reunir a comunidade para dar respaldo aqueles moradores. </div></p> <p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos), inclusive, o bispo é presidente da Comissão para a Justiça, Paz e Caridade, responsável pela coordenação de todas pastorais sociais, entre elas, a da Criança, do Idoso e a Carcerária.</div><div style="text-align: justify; ">Considerado com um religioso exigente, detalhista e de personalidade forte, o novo bispo diocesano disse que quer atrair mais jovens para a Igreja, instalar comunidades próximas à população e olhar para os menos assistidos. “Quero caminhar junto com todos e me esforçar para ser um bom pastor e não decepcionar o povo que o acolheu com tanto amor”.</div></p> <p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Morador da capital paulista desde a juventude, declarou seu amor a São Paulo, mas disse estar de coração aberto a esta nova missão. A partir da posse marcada para o próximo domingo, dia 21, no Poliesportivo Pedrocão, o novo bispo - sucessor de Dom Caetano Ferrari e Dom Diógenes Silva Matthes, hoje bispo emérito - disse que conhecerá a diocese e suas necessidades para depois tomar decisões em relação à troca de padres e regras internas adotadas nas igrejas.</div></p> <p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Apoiador dos diversos movimentos religiosos e de novas comunidades dentro da Igreja, Dom Pedro também demonstrou querer conhecer o Cenáculo. “Chego com a vontade de escutar, aprender e conhecer a nova realidade que se me apresenta”, disse como mensagem de saudação aos fiéis da diocese.</div></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio da Franca - Foi uma surpresa para o senhor se tornar bispo da Diocese de Franca?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro Luiz Stringhini -</strong> Recebi a nomeação com muita alegria. De fato, fiquei muito surpreso ao ser chamado pelo Núncio Apostólico para assumir uma diocese. Até agora, fui bispo auxiliar em São Paulo durante nove anos, então, ser chamado para assumir a Diocese de Franca me surpreendeu. Sou nascido no interior de São Paulo (em Laranjais) e a realidade do interior é bastante conhecida, é meu mundo embora desde os 18 anos tenha vivido na capital. Gosto de São Paulo, conheço bem a Zona Leste onde sempre trabalhei como seminarista, como padre e como bispo auxiliar. Gosto da cidade e inclusive recebi o título de cidadão paulistano em 2003. Acho São Paulo uma cidade interessante, a Igreja de São Paulo é uma Igreja bonita, muito viva. Sempre vivi mais lá que no interior, mas me sinto muito em casa no interior do Estado e já estou me sentido muito em casa em Franca.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - O bispo já conhecia Franca? Qual foi a primeira impressão que o senhor teve da cidade?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Posso dizer que estou na cidade pela primeira vez porque só tinha passado aqui uma única vez, mas faz uns dez anos. Até brinquei com padre Jamil e o padre Marquinho (Padre Antônio Marcos de Oliveira, pároco da igreja São Crispim no City Petrópolis) quando viemos de São Paulo. O padre Marquinho me disse: “Aqui estamos entrando na diocese” e eu disse que estava percebendo uma paisagem mais bonita e, de fato, a primeira coisa que chama a atenção aqui é a beleza do lugar, além do clima. Não estou achando que seja quente demais, insuportável. Pelo contrário. Franca tem um clima ameno. O café é muito gostoso também. Enfim, estou feliz por estar aqui. </span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - O que o senhor achou das pessoas? Como viu a demonstração de carinho que recebeu em sua primeira missa na cidade?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> A acolhida que tive foi maravilhosa. As pessoas são bastante receptivas. Foi um momento muito bonito. O povo rezando, acolhendo o seu pastor e eu também querendo acolher a todos, abraçar a todos. Espero, com todo coração e humildade, poder corresponder ao carinho e amor desse povo. Senti um pouco do que é a Diocese de Franca.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Quais são os desejos e expectativas do senhor frente à diocese ?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Gostaria de olhar com muito carinho pela juventude, não só para os jovens que participam da Igreja, mas para aqueles que estão fora dela. Quero, e acho que é possível, estar mais próximo dos padres. A diocese tem um grupo bom de padres, quero conhecer um a um e caminhar com eles. Tenho consciência de que eles são os primeiros colaboradores e, depois, é claro, há muita gente envolvida em tantos trabalhos, todas as pastorais, todos os movimentos, associações. Estou chegando, começando conhecer a cidade, seu povo e as pessoas. Tenho a expectativa de contribuir com tudo o que é a vida da Diocese de Franca. Quero agradecer desde já todos que estão me acolhendo, estou me sentindo muito acolhido aqui na cidade e na Diocese.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - O senhor diz que deseja trabalhar com os jovens. Como pretende fazer essa aproximação?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Não sou eu quem irá atrair os jovens. São as comunidades e os padres. Irei apoiá-los e há várias maneiras de fazer isso. Muitos jovens se aproximam da Igreja para receber a Crisma. Valorizo muito esse sacramento, por ser o bispo quem o confere, então, faço com muito gosto. Também existem os grupos de jovens das comunidades, a Pastoral da Juventude, os jovens da Renovação Carismática e da Legião de Maria. A Igreja deve ainda fazer o esforço de ir às escolas encontrar os jovens e lá falar de Deus. Existe também a possibilidade de fazermos eventos, reunirmos os jovens em uma praça e rezarmos com eles. Temos que ter criatividade e todo mundo irá ajudar.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Sobre a presença da Igreja Católica na região atualmente. Como está estruturada a Diocese de Franca?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Sei que a diocese conta com 30 paróquias, mas já tem outras áreas com vistas de no futuro serem novas paróquias. Ainda não conheço toda a diocese, mas vou trabalhar para implantação dessas paróquias. Quero continuar com os planos que já estão encaminhados e incrementar as ações para que elas possam existir. Há paróquias muito grandes, como a Capelinha e a São Judas, que também poderemos desmembrar.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio -Quando o senhor fala em criação de novas paróquias, quantas e em que regiões o senhor pretende fundá-las?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Tenho alguma ideia e vou conversar sobre isso em uma primeira reunião com o conselho de padres. Essa reunião estamos marcando para o dia 2 de março, vamos conversar sobre a vida dos padres e a possibilidade de novas paróquias. Não sou eu que estou propondo, Dom Caetano (Ferrari, último bispo de Franca antes de Dom Pedro) estava encaminhando a formação de novas paróquias. Vejo que na cidade de Franca há a possibilidade de abrigar pelo menos mais quatro novas paróquias, mas não sei dizer em que regiões.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Qual a vantagem o desmembramento de paróquias grandes, como a Capelinha e a São Judas Tadeu, traz para os fiéis?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Paróquias grandes desmembradas são sempre no sentido de que a vitalidade da presença da Igreja seja ainda maior, o vigor da Igreja aumente. A presença dos padres é muito importante, decisiva à frente das comunidades. Quanto mais tivermos padres, mais os leigos vão estar encorajados. Em março, inclusive, vamos ter a ordenação de dois novos padres. São diáconos, os primeiros que serão ordenados por mim como novo bispo da diocese.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Por falar em paróquias, todos os anos há transferências de padres na diocese. Como ficamos um período sem bispo, essas mudanças ainda não ocorreram. O senhor já tem algum planejamento para a realização dessas trocas de sacerdotes?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Não posso mudar nada e nem tomar nenhuma decisão antes de tomar posse no dia 21 de fevereiro e, depois da posse, tenho que conhecer. Não posso chegar de forma abrupta e mudar aquilo que nem conheço. Primeiro preciso conhecer a realidade das paróquias, conhecer toda a diocese e, na medida que for conhecendo a realidade, as necessidades de cada comunidade, aí, sim, vamos passo a passo fazer as mudanças necessárias. É mais prudente que primeiro eu tome posse e depois tenha esse tempo para conhecer a realidade da diocese.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Em Franca, como no resto do Brasil, as igrejas evangélicas ganharam força nos últimos anos. Como o senhor vê esta expansão?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> A Igreja Católica tem a consciência de não ser a única força social de uma sociedade. Outras igrejas cristãs também são forças sociais e têm sua importância. Cada uma delas cumpre seu papel na sociedade e quer ser conhecida. As igrejas evangélicas avançaram sim, mas podemos trabalhar para reverter esse quadro. Sei que Franca tem comunidades vivas, dinâmicas, mas acredito que todas têm sempre o que melhorar. Temos que evangelizar os que foram batizados e não estão na Igreja Católica e batizar os que ainda não foram batizados. Então a missão é sempre mais ampla do que aquilo que a gente já tem. As paróquias e as comunidades sempre podem se tornar mais dinâmicas e atrativas. Se eu, como bispo, conseguir ajudar essas comunidades, terei cumprido a minha missão. Penso também que a Igreja Católica precisa se fazer mais presente e dar sua contribuição. Como já disse, precisamos criar novas comunidades. A cidade cresce e nós temos de acompanhar esse crescimento. Todo novo bairro precisa ter o espaço da Igreja.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Em Franca, o Cenáculo reúne mais de duas mil pessoas em um ginásio da cidade toda terça-feira. O que o senhor pensa a respeito deste movimento?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Essa experiência de novas comunidades na Igreja Católica é muito bonita, porque elas trazem um carisma, uma mística e são tão mais vivas quanto mais vão ao encontro dos mais sofridos, das pessoas mais vulneráveis. Na região em que trabalho como bispo auxiliar em São Paulo, tem algumas e, sem dúvida, quero conhecer o Cenáculo. Depois que tomar posse, quero logo marcar uma celebração eucarística em uma dessas terças-feiras.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Em algumas igrejas de Franca, há restrições a vestidos de noivas e madrinhas, principalmente em relação a decotes ou tomara-que-caia. Qual a opinião do senhor a respeito deste tipo de controle?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Vou ter que conhecer com calma as normas da diocese. Questões particulares muito práticas não sei responder, mas depois devagar vou tomar conhecimento de tudo. Mas digo que cada igreja, cada padre tem suas orientações práticas, sua autonomia para agir. Se um padre disser que um homem não pode ir à missa de bermuda, não me parece algo extravagante. Correções podemos fazer, mas não vou entrar nesse momento em nenhuma dessas regras. Precisamos ser cautelosos, pois tem gente que reclama quando há muito rigor, mas também tem aqueles que se queixam quando não há rigidez nenhuma. Tudo é uma questão de bom senso. </span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Mas o senhor é a favor ou contra o uso de decotes nas celebrações?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Creio que as pessoas que normalmente frequentam as igrejas têm o bom senso de perceber que a igreja é uma casa de oração. Estar na em um templo não é a mesma coisa de estar em uma praia. Isso acontece também na própria sociedade, estar em ambientes públicos em horários oficiais não é a mesma coisa de estar à vontade em um dia de verão em um bar. Então, as pessoas vão aprendendo a maneira de se comportar, de se vestir em diferentes ambientes. A Igreja, sem dúvida, requer um decoro, um bom senso, não precisa exagerar. Por parte dos padres, eles precisam acolher as pessoas, orientar e ter muita compreensão e paciência com aqueles que não ainda descobriram o sentido da liturgia e o seu valor.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Em Franca, já registramos casos de padres envolvidos com adolescentes. Qual a avaliação do senhor em relação aos escândalos sexuais envolvendo padres?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> A Igreja Católica condena tudo o que é delito, mas prefiro falar sobre isso depois de tomar posse. Posso dizer que todo delito deve ser tratado segundo a lei, independente de quem praticou. Se alguém praticou um delito, ele deve ser punido e a lei vale para todos, seja para padre ou não. A lei deve ser cumprida igualmente.</span></div></strong></p> <p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Nesta semana, a realidade vivida por doze pessoas que moram no subsolo de um prédio inacabado em Franca chocou muita gente. Para o senhor, como a igreja deve lidar com esse tipo de situação? Que tipo de trabalho o senhor pretende fazer com moradores de rua?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Dom Pedro -</strong> Primeiro fiquei surpreso porque, do que conheço de Franca, só vi coisas bonitas até agora. Uma cidade que não é tão grande, onde as pessoas se conhecem e tem qualidade de vida. Não imaginava que em Franca havia uma situação como essa. Foi uma surpresa desagradável. Sobre as pessoas que vivem em situação de marginalidade, de exclusão social, é importante que elas não se sintam abandonadas por todos. É importante que o Poder Público se faça presente, a Igreja se faça presente. É preciso que eles reconheçam que podem contar com a solidariedade do cidadão, a eficácia do Poder Público, a presença da Igreja. É preciso estar com eles para dizer que a Igreja está junto, fazer uma oração e propor um tratamento para aqueles que são dependentes químicos. </span></div></strong></p>

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