Patrões definem aumento de R$ 24 no piso dos sapateiros


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<b>DECISÃO</b> - Empresários durante a assembleia que definiu o reajuste da categoria. Dos quase 250 associados do Sindifranca, apenas 20 compareceram
<b>DECISÃO</b> - Empresários durante a assembleia que definiu o reajuste da categoria. Dos quase 250 associados do Sindifranca, apenas 20 compareceram
Em assembleia a portas fechadas, que durou 1h20 e contou com um público formado por 20 pessoas, os empresários da indústria calçadista definiram um aumento de R$ 24,32 para o piso da categoria. A partir de 5 de março, o salário base dos trabalhadores passa para R$ 582. O reajuste representa 4,36%. Esse mesmo índice será aplicado sobre todas as faixas salariais dos empregados. A proposta foi apresentada pelo Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) e teve a aprovação unânime dos presentes. Além de interferir no reajuste de salários da categoria, os patrões decidiram que vão depositar em juízo o imposto sindical que é recolhido pelas empresas no mês de abril. O valor representa um dia de trabalho de cada funcionário da indústria, cerca de R$ 500 mil. Desse montante, pelo menos 70% vai para os cofres da entidade que representa a categoria. José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca, disse que as medidas foram tomadas porque não existe hoje uma “segurança jurídica” sobre quem representa a categoria. “Não sabemos com qual sindicato devemos negociar. Quando esse impasse estiver definido, então vamos estabelecer um calendário de discussão. Por enquanto, fica o reajuste com antecipação às negociações”, disse. A alegação do Sindifranca diz respeito à disputa judicial travada há mais de 15 anos entre dois sindicatos. De um lado está Fábio Cândido que vem tentando ocupar o posto de líder dos sapateiros por meio de ações judiciais. Seu sindicato já foi reconhecido pela Justiça, mas ele não conta com o registro sindical e, portanto, não pode falar em nome da categoria. Do outro, está a entidade com quase 70 anos de existência que é presidida por Sebastião Ronaldo, mas vem obtendo sucessivas derrotas na Justiça. Ainda assim, é o reconhecido no Ministério do Trabalho para falar em nome da categoria. <b>REVIDE</b> No que depender do sindicato presidido por Sebastião Ronaldo, o Sindifranca não conseguirá impor o reajuste aos trabalhadores. “O que eles estão fazendo é se aproveitar de uma situação e prejudicar a categoria. Nós podemos negociar sim. Ele (José Carlos) sabe disso, mas finge que não. Vamos dar o troco certo”, disse Ronaldo, sem entrar em detalhes do que seria. O diretor da entidade, Paulo Afonso Ribeiro, prometeu para hoje, às 17h30, uma assembleia histórica com os trabalhadores. “A partir desta decisão, que remonta há 20 anos e é um desrespeito com os sapateiros, nós vamos tomar importantes decisões. Não vamos ficar olhando as coisas acontecerem”.

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