“A única coisa que sinto falta é da família”


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VIDA SUBTERRÂNEA - Rapaz caminha pelo amplo salão projetado para ser a garagem do prédio de 14 andares e que se transformou num imenso depósito de gente e de lixo. Mais de 30 homens e mulheres passam pelo local para dormir e usa
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O “homem mais velho” trabalhou em fábricas de calçados e numa transportadora. Em 2001 perdeu o emprego e a família. Há quatro anos, vive no piscinão e atua como flanelinha. Comércio - Desde quando o senhor vive na rua? Homem - Desde quando perdi meu emprego e minha família, em 2001. Cheguei um dia em casa e minha mulher tinha ido embora com nossos três filhos. Fiquei na casa (no Progresso) um ano. Sem emprego, não paguei aluguel e tive que sair. Comércio - Onde está a sua família? Homem - Meus filhos, de 15 e 17 anos, estão com a mãe. O outro, de 19, está aqui comigo. Minha mãe de 79 anos e meus irmãos moram aqui perto. Comércio - Porque você veio morar aqui? Homem - Não tem outra opção. Não vou sair por aí invadindo casas. Comércio - Por que você prefere estar aqui em vez do Abrigo? Homem - Aqui não tem ninguém para mandar em nós. Temos regras, mas temos liberdade Quem mora aqui não pode gritar, não pode trazer menor para usar droga, não pode mexer com a vizinhança e praticar furtos. Se descumprir as regras, expulsamos. Comércio - O senhor sente falta de alguma coisa? Homem - Só sinto falta da minha família. Comércio - Tem algum sonho? Homem - Tirar meu filho das drogas é meu único sonho. Comércio - Qual foi a última vez que o senhor chorou? Homem - Ah! Aqui a gente chora todo dia. Por saudade da família, fome... Comércio - De quem é a culpa pelo senhor estar nessa vida? Homem - A culpa é só minha.

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