Do violino à viola: a história da música em Franca


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<i>Textos: Valdes Rodrigues</i> “Terra dos meus sonhos, Adorando em Segredo, Choro de Violinos e outras valsas mais...” esse trecho foi retirado de uma das composições gravadas pelo Conjunto Francano de Amadores e revela uma vocação de Franca: a musical. Sim, essa terra, há mais de um século, segue adorando em segredo não só o choro de violinos e valsas, como diferentes tipos de música e, de tempos em tempos, revela um grande talento. Estão aí nomes como o do músico Diego Figueiredo e das duplas sertanejas Gian & Giovani e Rio Negro & Solimões que confirmam essa tese (leia mais sobre os artistas francanos nos apoios). Mas, voltando a quando tudo começou - com a valsa - são inú meros os títulos que se tornaram conhecidos ao serem compostos e interpretados por artistas locais enquanto esse gênero predominou. Esse texto pretende fazer um resgate histórico e cronológico desse capítulo da história da música em Franca. Tudo começou no período entre 1872 e 1920, quando nada menos que oito bandas de música e quatro orquestras se fizeram ouvir em Franca. Além das valsas, passou a ouvir os hinos, música clássica e popular, marchas e dobrados, maxixes, tangos, mazurcas e quadrilhas, ritmos da época. As bandas de música eram convidadas a tocar em todos os atos sociais. Era hábito, por exemplo, nos casamentos, a banda esperar os noivos à porta das residências e, depois, animar os bailes. Conforme o costume, após a retreta, os músicos iam para a porta dos cinemas, onde exibiam alguns números, como que buscando atrair as pessoas para o espetáculo. Geralmente o maestro e os demais componentes eram premiados com a entrada para aquela sessão. Detalhe curioso é que a corporação musical costumava ser também requisitada para os enterros, costume que se estendeu até por volta dos anos 20. A primeira banda de que se tem notícia foi fundada por Joaquim Tristão de Almeida, em 1872, ano de sua chegada a Franca. O maestro Tristão, um dos nomes mais importantes do início do movimento musical em Franca, foi ensinando sua arte a outros novos músicos, vindo a formar mais tarde uma orquestra que também ficou bastante conhecida. Em 1920 chega a Franca o músico Randolfo Damasceno Ribeiro, que, a convite do maestro Tristão, incorporou-se à banda, nela permanecendo por um ano. Depois, desligou-se e, carregando consigo alguns elementos, formou a Banda do Grêmio. Teve origem no Grêmio Literário de Franca e era composta por 32 elementos. Para tocar em concertos públicos, geralmente na Praça Barão, esta banda recebia da municipalidade a quantia de 150 Mil Réis por mês. Veio em seguida a Banda do Grupo Escolar Coronel Francisco Martins, tendo como entusiasta o seu diretor, Eduardo da Costa Nunes, que contratou o professor de música e maestro Valentim Ribeiro da Fonseca. A título de curiosidade, o compositor e músico Arnaldo Ricardo de Souza, um dos fundadores do Conjunto Francano de Amadores, integrou essa banda quando tinha apenas 8 anos de idade, tocando flautim. Surgiu depois a Banda Comercial, isso no ano de 1912, sob a regência de César Louzada, com a colaboração do músico João Caetano de Menezes. Outras bandas vieram nos anos seguintes. Em 1914, Tristão de Almeida, filho do maestro Joaquim Tristão de Almeida fundou a Banda do Tatão, que era seu apelido. Já em 1917 foi organizada a Banda Santa Maria, cujo único objetivo era prestar serviços à Empresa Muniz-Cine, proprietária do Cine Santa Maria. Lá pelo ano de 1920 surgia ainda a Banda de São Benedito, com origem no bairro da Estação e formada por dissidentes de outras corporações, sobre a qual, porém, pouco se sabe. <b>NOS CINEMAS</b> Depois das bandas começaram a surgir as orquestras, como a do maestro Joaquim Tristão de Almeida, que tocava piston. Apresentava-se com frequentemente no Teatro Santa Clara, na época do cinema mudo. Ainda nesse período surgiria a Orquestra do Bijou Théatre, uma bem montada casa de diversões na Rua do Comércio, tendo como maestro, Oscar Louzada. O Bijou héatre foi destruído por um incêndio em 1912. Franca conheceu também a Orquestra do Santa Maria, que conforme o próprio nome indica, estava ligada ao Cinema Santa Maria, e tinha como músico regente, Olímpio de Almeida. A fama dessa orquestra ganhou todo o Estado. Tinha um repertório variado e de gosto esmerado. Tanto que muitas pessoas diziam, na época, que gostavam de ir ao cinema, mais para ouvir a orquestra tocar. O cinema de então representava um ponto de encontro da sociedade francana. Alí as pessoas chegavam a assistir de oito a dez filmes mudos de curta metragem. Mas a orquestra era a atração principal. Da mesma maneira acontecia também com o Cine Rio Branco e sua corporação musical que era de igual nível. Em 1922 nascia a banda que passaria a ser mantida inteiramente pelo município, denominada de Banda Municipal, tendo como regente, Luciano Barbosa. Ela perdurou até 1945, com Ernesto Pini à sua frente, sendo neste ano extinta. <b>NAS ESCOLAS</b> Um ano depois surgiria a Banda Católica Jesus Maria José, por iniciativa do vigário da paróquia, Frei Manoel Gonzáles, presidida por Francisco Traficante e regida por João Flauzino, sendo depois sucedido por Jacomo Tardivo e Luiz Seraggi. Em 1954, passou para a direção do musicista Verdi Voss de Menezes. Outro grande nome da nossa música foi Godofredo de Barros Júnior, que iniciou a Banda Cachoeira, que se apresentava nas fazendas da região e na Praça N.S. da Conceição. Maestro Godinho compôs dez hinos, incluindo um hino da Franca, que não chegou a ser reconhecido oficialmente, e o Hino do Sesquicentenário. O Hino da Franca, aliás, foi reconhecido oficialmente em 15 de dezembro de 1969, pela Lei número 1833/69, de autoria do músico Waldemar Roberto, com letra de Alfredo Palermo. Outra banda, que surgiu em 1959, foi a do Pestalozzi, graças ao idealismo de Tomaz Novelino, diretor do estabelecimento e com a colaboração do maestro Aristides de Oliveira Leão. Tivemos também a Banda do Sindicato dos Sapateiros, criada em 1964 pelo seu então presidente, Manoel da Silveira. Vale ainda ressaltar o surgimento nos anos seguintes de fanfarras e bandas escolares, como IETC, Champagnat e depois a da Escola Octávio Martins de Souza, com o regente recentemente falecido, Milton Faleiros. <b>Veja o quadro</b>: <p style="text-align: center;"><a target="_blank" href="http://gcncomunica.files.wordpress.com/2010/02/da-viola-ao-violino4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3348" title="arte/comércio da franca" src="http://gcncomunica.files.wordpress.com/2010/02/da-viola-ao-violino4.jpg" alt="" width="400" height="822" /></a></p> No começo do século passado, as serenatas enchiam de encantamento as noites, decantadas em versos pela inspiração de vários poetas francanos. Nascia naquele período o conjunto seresteiro, a Estudantina Francana, integrado por rapazes da sociedade local. Franca foi uma cidade realmente seresteira, conforme o relato das pessoas que viveram naquela época. Alguns dos muitos nomes dos habituais seresteiros, hoje denominam ruas e praças de nossa cidade, como Gino Balerine, tido como o mago do violino, Abrahão Brickman, Vicente de Paula Lima, Arias de Almeida, Baldijão Seixas e muitos mais. Vieram as orquestras e conjuntos musicais, como a Sinfônica de Amadores, organizada pelo entusiasta Petronilho Ribeiro, tendo a seu lado o compositor Oscar Louzada. A Orquestra Francana de Amadores viria a se apresentar em vários concertos nos salões, cinemas e clubes da cidade e também da região. No ano de 1962, no salão da AEC, acontecia o primeiro recital do conjunto Jóias Musicais, formado por Luiz Púglia Filho, o seu regente. <b>SERTANEJO</b> Franca também se destaca no gênero chamado sertanejo. Seria ainda mais extenso do que a lista de bandas, relacionar todas duplas que a cidade já teve, mas vale lembrar de uma já antiga, que em 1969 representou Franca no Cidade Contra Cidade, do Sílvio Santos, transmitido para todo o Brasil e marcou importante ponto com sua atuação: a dupla Canário e Passarinho. Isso, quando o sertanejo ainda era discriminado na televisão. Depois disso, veio o estouro de sucesso em âmbito nacional da dupla francana Gian e Giovani. Logo em seguida, quem viria a se tornar conhecida em todo o Brasil foi a dupla Rionegro e Solimões. Ambas emplacando temas em novelas famosas da televisão. <b>NOVOS TALENTOS</b> Nessa pauta de relatos, podemos ver que Franca sempre foi pródiga em músicos de reconhecida capacidade, com a maioria deles deixando sua marca sonora gravada na memória de todos, e mantida nos dias atuais, através de nomes que continuam a levar o talento artístico a todos os cantos do país. Como ainda agora, escrevendo outro importante capítulo dessa história, o jovem e extraordinário instrumentista Diego Figueiredo, respeitado em todo o meio musical brasileiro, além de conquistas em festivais internacionais. Antes de fechar a cortina desse concerto da história musical de Franca, os acordes finais ficam por conta de uma corporação de grande qualidade, a Orquestra Sinfônica de Franca, sob a batuta do jovem e competente maestro, Nazir Bittar. E a história da música em Franca, certamente, terá mais capítulos em breve. Novos talentos vão surgindo a cada dia e eles vão manter essa tradição maravilhosa da música em Franca. Apurem os ouvidos.

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