Há em Franca hoje mais de 10 mil desempregados e, mesmo assim, há vagas que nunca, ou dificilmente, são preenchidas. Por exigências dos candidatos, que impõem horários, salários e dias em que estão disponíveis para o trabalho, e das empresas, que pedem funcionários cada vez mais qualificados e com experiências específicas para a função que vão desempenhar, algumas vagas ficam encalhadas e é preciso “importar” de fora de Franca candidatos para elas.
Um levantamento feito pelo Comércio da Franca nas principais agências de empregos da cidade revelou que cargos de vendas externas, planejamento de calçados, diretoria e gerência, recursos humanos, controller, cronometrista, técnico em segurança do trabalho, supervisão de vendas e mecânico de máquinas são as vagas menos concorridas.
Para Andréa Haddad Caleiro, da RHDP Consultoria de Recursos Humanos, o maior problema enfrentado para a colocação das pessoas no mercado de trabalho é a falta de qualificação. “Elas se acomodam, não fazem cursos e esperam que as empresas se adaptem à sua rotina, e não o contrário”, conta.
Muitas entidades, como o Senai, oferecem cursos em algumas das áreas em que sobram vagas por preços que variam entre R$ 210 e R$ 480. Neste ano há alguns, como o de cronoanálise para indústria de calçados e planejador de calçados, que serão oferecidos de forma gratuita através de um convênio com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Mesmo assim, o interesse é baixo. O curso de mecânico de manutenção para máquina de calçados tem 200 horas de duração e um custo de R$ 480.
Além dos cursos, para se qualificar para a vaga é preciso ter vontade de crescer e buscar melhorarias constantes, trocando experiências e conhecimento, ter criatividade, ser proativo e ter ambição. As outras vagas que “sobram”, se desconsiderarmos as de gerência e diretoria, que geralmente exigem curso superior e MBA (Master Business of Administration), são as de técnico em segurança do trabalho, com curso na área oferecido pelo Senac Franca, vendas externas, sem curso específico e onde a maior exigência é saber trabalhar sob pressão de resultados, e motorista de caminhões, com exigência de CNH para categoria E.
Outro problema grave encontrado no caminho entre o empregado e a empresa são as exigências que os candidatos fazem para aceitar uma vaga. “Eles chegam aqui cheios de exigências e perguntam sobre a jornada, não aceitam trabalhar aos finais de semana e querem salários acima da média”, conta Andréa.
A empresa, por sua vez, também está mais exigente e não aceita mais moldar o colaborador, ou seja, não contrata alguém ao qual tenha que ensinar a função, mesmo que tenha que buscar fora de Franca alguém preparado.
Segundo Andréa a falta de empenho dos candidatos é outro obstáculo enfrentado hoje em dia pelos contratantes. Em muitos casos, esse “desleixo” fica mais evidente quando o futuro colaborador chega para a entrevista com a barba por fazer e com roupas impróprias. “É um comportamento até cultural na cidade, mas difícil de entender. Falta vontade e brilho no olhar”, conta.
Para Jorge Fortunato Elias, sócio-proprietário da Porto Seguro Agência de Empregos Temporários, a grande dificuldade em encontrar gente qualificada para trabalhar seria amenizada se as empresas continuassem a investir nos profissionais que já trabalham para ela. Ele, que já chefiou a produção de uma grande empresa de calçados no passado, se lembra com saudade do tempo em que o funcionário entrava jovem na indústria e ia se especializando dentro dela. “Trabalho muito selecionando pessoas para fábrica de calçados, de borracha e curtumes e, quando eles pedem experiência, temos dificuldade para encontrar o empregado ideal”, completa.
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