Mosteiro de Claraval quer se abrir para o mundo


| Tempo de leitura: 3 min
<b>ORAÇÃO NO TEMPLO</B> -  O monge Guilherme, de Franca, reza durante a tarde na Igreja do Mosteiro Nossa Senhora do Divino Espírito Santo em Claraval (MG). Ao longo do dia, são sete momentos de oração
<b>ORAÇÃO NO TEMPLO</B> - O monge Guilherme, de Franca, reza durante a tarde na Igreja do Mosteiro Nossa Senhora do Divino Espírito Santo em Claraval (MG). Ao longo do dia, são sete momentos de oração
Irmão Guilherme fecha os portões após o boa noite do Jornal Nacional. Antes de o sol nascer, está de pé novamente para tocar o sino que desperta os outros oito monges e os quatro novos aspirantes que vivem no Mosteiro Nossa Senhora do Divino Espírito Santo, em Claraval (MG). No alto de uma colina, de onde dá para ver toda a cidade, o mosteiro é imponente e quem o vê de longe fica imaginando as preciosidades escondidas e a vida silenciosa, fria e alienada de seus moradores. Mas basta atravessar as enormes portas de madeira que dão acesso ao local para descobrir que os monges cistercienses, seguidores das regras de Santo Bento, não estão enclausurados, de caras fechadas e sem um sorriso no rosto. Pelo contrário. Ali eles vivem em harmonia, dão risada de piadas ou mesmo de um comercial de TV, rezam, trabalham, inclusive em tarefas do meio rural, e se informam de tudo o que acontece do lado de fora. Estão conectados por internet via rádio, recebem jornais e revistas, assistem os noticiários e acompanham os esportes. Por ano, respondem em torno de 30 e-mails de interessados em seguir a vocação monástica (de monge) e poucos conseguem passar pela peneira de seleção. Com um site na rede de computadores, criado por uma paroquiana, os monges, a maioria com idade média de 30 anos, querem agora trabalhar na atualização da página e fazer o mosteiro ficar mais conhecido. Eles querem se abrir para o mundo e mostrar que é possível viver para Deus sem parecer “bitolado”. “Ninguém fica aqui se não deseja. É preciso ser livre. E para os que não conhecem, digo venham e vejam”, diz o padre José Carlos Carvalho, pároco e prior (espécie de coordenador) do mosteiro. <b>SUBSISTÊNCIA</b> Prestes a completar 60 anos de fundação - em abril - o mosteiro ainda não é independente financeiramente. As despesas para manter tudo em pé e funcionando, incluindo aí os salários de quatro funcionários, ultrapassam os R$ 200 mil por ano, segundo o padre José Carlos. Pão, leite, ovos, doces e até licores fazem parte da produção interna do mosteiro que é colocada à venda para ajudar no sustento da ordem. Mas, como o resultado das vendas não é suficiente para cobrir os custos, precisam contar com a ajuda do mosteiro mãe de Casamari, na Itália. Mestres em bem receber, eles dispõem de três quartos vips, na área do claustro, para quem deseja fazer um retiro espiritual individual ou mesmo em casal. A diária vai de acordo com a doação espontânea de cada um e o visitante ainda tem a opção de fazer as refeições em companhia dos monges. “Para os monges cistercienses, todo visitante deve ser acolhido como o Cristo em pessoa”, diz irmão Mateus, 35 anos, 15 deles vividos dentro do mosteiro. [FOTO2] A comunidade também oferece para grupos religiosos a casa de retiro. O local é alugado para fins de semana a R$ 10 por pessoa a diária. Os quartos, capela e sala de palestra ficam em uma ala separada e a reserva precisa ser feita com até um ano de antecedência. “A maioria das reservas é para grupos da Diocese de Franca, mas também recebemos muitos encontros de Ibiraci e Ribeirão Preto”, diz irmão Mateus, que conheceu o mosteiro por meio de um encontro. Para o padre José Carlos, 53, natural de Passos (MG), seu sonho é ver a comunidade conhecida pelo seu trabalho e formada por homens que amam Deus. “O nosso objetivo é ser uma comunidade respeitada pela integridade de vida, de homens de oração, que trabalham para sobreviver e amam Cristo acima de tudo”. <B>ENTENDA A DIFERENÇA</B>: <a target="_blank" href="http://francainsight.files.wordpress.com/2010/02/monges-1.jpg"><img src="http://francainsight.files.wordpress.com/2010/02/monges-1.jpg" alt="" title="arte/comércio da franca" width="426" height="214" class="aligncenter size-full wp-image-1320" /></a>

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários