Censura? Não. Seriedade!


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No jornalismo, o metier da gente é conversar com gente e estar sempre de antenas ligadas, ouvindo mais que falando. Exercitar jornalismo é saber ouvir mais que falar. E não é fácil. Já contei aqui, em textos anteriores, sobre a capacidade de falar demais dos seres humanos. E ouvir de menos. Se não leu antes, explico novamente: quando alguém tem um problema, só resolve quando encontra alguém disposto a ouvir sem ajuizar, sem ameaçar. Saber ouvir faz um bem danado a quem ouve e a quem é ouvido. Presenciei grandes transformações de vida com base no exercício honesto desta simples equação. O princípio do "milagre" também é simples: quando você ouve e tenta entender, "diz" a quem fala que ele, e seu problema, são importantes. Se não replica nem tenta aconselhar não ameaça e permite que o outro desenvolva raciocínios capazes de solucionar os problemas que tem. Isso tem cheiro de psicologia? Tem. O responsável por dar forma compreensível ao assunto foi o psicólogo Carl Rogers. O esquema é conhecido por "aconselhamento não diretivo". Quem tem problemas não é aconselhado. Ao ser ouvido, se auto-aconselha. Percebe? Pois bem. Por que tanta teoria? Volto ao jornalismo. Na Editoria de Opinião do GCN Comunicação, recebemos cerca de 150 comunicações diárias, leitores e ouvintes das edições em papel e online do jornal <b>Comércio da Franca</b> e transmissões da Rádio Difusora AM. Os pontos de vista enviados são um autêntico termômetro sobre o rumo médio do pensamento dos quase leitores que se informam a partir do <b>Comércio</b> e da Difusora em Franca e em boa parte da região nordeste do Estado de São Paulo e Sudoeste/Sul do Estado de Minas Gerais. Lendo a correspondência, "ouço". E levo a sério. Há tendências assustadoras. Temos leitores que, cansados da inércia policial e judiciária, começam a falar em justiça com as próprias mãos. Há gente que pergunta porque investigadores de polícia, quando vão "periciar" locais assaltados, roubados ou furtados, não colhem impressões digitais. Tem um número crescente de cidadãos que não suporta mais conviver com leis que garantem salários a familiares de presidiários superiores aos que gente reta, que trabalha a vida inteira e quita suas obrigações, recebe. "Ouço". Medito. Publicamos. Excelentes debates se estabelecem com base nestas publicações. Há também, uma outra tendência, a do medo. O texto-guia é, quase sempre, "estou preso em casa enquanto o bandido anda solto pelas ruas". Mas, pior que tudo, é a covardia que o medo impõe. Registro crescente número de correspondências com nomes de pessoas inexistentes, endereços, telefones. É claro que o GCN Comunicação tem ferramentas adequadas para reduzir, quase à zero, a possibilidade de erro. Não publicamos textos anônimos, apócrifos, mascarados. Quanto há dúvida, ligamos ao autor. Normalmente, estes textos fazem denúncias, imputam crimes, permitem o exercício da livre expressão dos intestinos de quem se julga espoliado, mas não tem coragem para expor-se. O quadro é completo: além da ausência do nome real, oferecem endereços, telefones, e-mails inexistentes. E reclamam quando endereço tais excrescências ao lugar correto. Insisto: neste século XXI, o século do "relacionamento", apenas corajosos darão frutos. O resto é massa informe e sem rosto, incapaz de fazer a própria história ou colaborar pela melhoria efetiva deste mundo. <b>COMO FUNCIONA</b> Se você fizer uma conta simples, compreenderá como funciona o "termômetro" ao qual me referi. Multiplique 150 por 30 e você terá cerca de 4,5 mil comunicações de leitores e ouvintes do GCN Comunicação, ao mês. Todos os dias lidas e conferidas, permitem monitoramento da "temperatura" com que a média da população "vê" os assuntos publicados. Praticamente todas as comunicações – exceção àquelas às quais me referi no texto de hoje – são publicadas no site www.comerciodafranca.com.br, rodapés das matérias que as embasaram. Na seção "Cartas" – página 2 do caderno local –, publicamos, em média, entre 10 e 15 mensagens por dia, evidentemente editadas – para ganhar espaço – mas mantendo a essência de cada texto recebido. São 6 dias por semana – não temos <b>Comércio</b> nas segundas-feiras –, 24 dias por mês, o que determina espaço para cerca de 350 cartas. É através deste espaço, na página 2, que os grandes debates acontecem. As pessoas ainda preferem ler "em papel", principalmente, papel jornal. <b>COMO NÃO FUNCIONA</b> Se você tem um ponto de vista controverso, diferente, capaz de estimular outras pessoas a também se manifestarem, parta para o debate. Há décadas a seção de cartas deste Comércio é tribuna democrática conferida por cidadãos comuns e por quem decide. Não há, a rigor, quem se mantenha distante das grandes discussões empreendidas na página 2 deste jornal, todos os dias. Só não funciona se você prefere atirar e correr. <b>COMO FAZER?</b> Fácil. Você entra no site do jornal, na internet (www.comerciodafranca.com.br), cadastra-se gratuitamente e passa a ter acesso à edição do dia, do Comércio. Lê. Se sentir-se estimulado a comentar alguma das matérias, vai ao rodapé e encontra o link “comentários sobre esta matéria”. Clica. Expõe-se. Faz diferença. <b>Luiz Neto</b> Jornalista, editor de Opinião do Comércio - <i>luizneto@comerciodafranca.com.br</i>

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