Caminhar, fazer compras ou simplesmente ir a um restaurante ou padaria na Avenida Major Nicácio tem se tornado um suplício. Espalhados pelos três quilômetros de extensão da via, mendigos e pedintes têm tirado o sossego de quem se arrisca a parar o carro ali ou decide transitar pelas calçadas. Na hora do almoço e depois das 21 horas, o problema se agrava, com homens (em média de três a quatro por grupo) importunando as pessoas com gritos, xingamentos e até empurrões.
A situação tem incomodado principalmente os comerciantes instalados no local. Edna Ferreira, que trabalha há sete anos em uma imobiliária na avenida, teme ser agredida. “Logo no início da manhã, quando abrimos a loja, o movimento ainda é fraco. Nessa hora, eu tenho medo de que eles tentem alguma coisa”, disse.
No canteiro, na praça e próximo ao semáforo em frente à Padaria Estrela, a concentração de pedintes costuma durar o dia todo. Para tentar diminuir os incômodos a seus clientes, a empresa contratou um segurança particular. “Além do vigia no período comercial, temos uma pessoa que trabalha à paisana das 19 horas à meia-noite. Tudo para evitar transtornos”, disse Paulo Xavier, um dos proprietários da padaria.
A medida trouxe mais segurança aos clientes, mas ainda não os isentou dos riscos. “Não temos a cobertura por todo o período, é inviável colocar vigias por 24 horas”, disse.
Um dos vigias que trabalha no local disse que já presenciou os andarilhos empurrando clientes que não queriam “contribuir”. “Eles ameaçam mesmo, principalmente as mulheres. Perguntam se não querem que “olhe” os carros, se a pessoa não aceita, eles riscam o veículo”, disse o vigia que não quis ser identificado.
Quem estaciona o carro próximo à Igreja Nossa Senhora das Graças ou naquelas imediações também é abordado. “Eles dizem que são flanelinhas, mas estão sempre embriagados. Eu não ajudo mais não”, disse a aposentada Maria Aparecida Dias.
O trecho da avenida, em frente ao Street Shopping, também é um dos pontos onde eles costumam ficar e incomodar os consumidores. “Temos dois seguranças no shopping e mais um que contratamos para evitar esse tipo de problema”, disse o gerente do Peixinhos Bar, Adilson Rodrigues dos Santos.
Durante a reportagem do Comércio na semana passada, um mendigo estava deitado na porta de uma loja de celulares. A gerente geral da loja Thamanta Roberta Lopes, lamentou a sua presença. “Tira a privacidade dos clientes que entram na loja. Prefiro não pedir para ele sair porque acho indelicado, mas algum órgão deveria tomar conta deles”, disse.
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