Depois de cerca de 120 dias, na manhã de ontem, seis famílias voltaram a invadir seis residências localizadas na Rua Maria Eurípedes Sousa, no Jardim São Gabriel, na Zona Oeste da cidade. Os invasores querem que a Infratécnica Engenharia e Construções Ltda, proprietária dessas habitações, faça um acordo de venda dos imóveis por preços de habitações populares.
Essa não é a primeira vez que o grupo usa a estratégia de invadir os imóveis para pressionar a construtora. Em junho do ano passado, eles quebraram as trancas das portas das casas e as ocuparam. Só foram sair quase três meses depois, quando a Justiça ordenou que deixassem o local em um prazo de 30 dias, o que foi cumprido.
À época, segundo os invasores, a Infratécnica teria prometido a eles que seriam incluídos em uma lista de espera para a compra dos imóveis. Cada residência possui de três a quatro cômodos e custa em média R$ 50 mil. Como depois de quatro meses ainda não teriam recebido resposta da construtora, na manhã de ontem, resolveram invadir novamente os imóveis. “Estamos invadindo de novo. Desta vez, viemos para ficar. As casas estão vazias desde que foram construídas em 2008. Quero ver quem nos tira daqui agora. Estamos lutando pelo direito de ter uma moradia”, disse o carroceiro Nelson Antônio de Souza, 35.
As seis famílias que estão ocupando as casas, se conheceram na Vila Santa Efigênia onde eram vizinhas. Quatro moravam pagando aluguéis que variavam de R$ 150 a R$ 250 e as outras duas estavam de favor na casa de amigos e familiares. “Cada um que está aqui tem uma história e suas dificuldades. Nos unimos para termos uma vida melhor”, disse o pedreiro Leonardo Nogueira, 25, que pretende ficar na casa junto com a esposa, Kênia Nogueira, 22, e a filha Nicole, três anos.
Na manhã de sexta, Nelson já havia levado para os três cômodos da residência onde quer morar, uma cadeira, mesa, sofá e fogão. O carroceiro quer deixar de morar de favor e ter a casa própria. “Não queremos ficar aqui de graça. Estamos dispostos a pagar. Queremos ter o direito de morar com dignidade”.
Por enquanto, as casas não possuem sistema elétrico e água encanada. Para sobreviverem até as adequações, os invasores contam com a solidariedade de um vizinho.
A Infratécnica Construtora nega que tenha feito qualquer tipo de acordo com as famílias invasoras e prometeu recorrer novamente à Justiça para recuperar seus imóveis.
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