Pergunta-se: ‘há na obra de Marx, fundador da principal tradição do socialismo moderno, a construção de um princípio coerente de universalização de uma nova ordem política crítica e alternativa aos fundamentos liberais particularistas da ordem capitalista? Um princípio capaz de elaborar a gramática republicana do interesse público e permitir identificar, por oposição, o fenômeno da corrupção?. (...) toda a obra de Marx pode ser lida a partir da sua incapacidade de estabilizar um princípio de universalização coerente e alternativo à ordem liberal’.
A perguntas e a resposta que acabei de transcrever podem ser encontradas no livro Corrupção - Ensaios e Críticas, organizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais e publicado pela editora UFMG. É evidente que não há uma fórmula mágica na obra de Marx capaz de ‘criar’ o ‘Além Homem’, ‘o sentido da terra’ idealizado por Nietzsche, ou seja, é impossível o ‘nivelamento’ da sociedade a partir de teorias reducionistas e lineares. Por algum tempo, até que funcionam, mediante a implementação do terror e da mentira, mas um dia caem por terra.
O mundo é cheio de contradições. Como lutar contra isso? Não há dia e noite, nascimento e morte, frio e calor? É possível remediar, solucionar, jamais. Ninguém se engane. Os ‘enviados’ que ocupam o poder com discursos populistas e salvadores, estão mesmo interessados em resolver os próprios problemas.
Numa democracia é preciso que haja direita e esquerda. Uma disciplina a outra. Nem muito para o lado dos detentores do capital, nem muito para o lado dos que se dizem ‘vítimas’ desse capital. Aristóteles afirmava que a virtude está no meio, no equilíbrio entre as partes.
A boa propaganda que vêm fazendo desde 1985 é a de nunca parecer que a estão fazendo. Há uma orquestração contra as liberdades individuais que aos poucos vêm distorcendo e destruindo valores e identidades, mas continuam mascarados por um vento ideológico que sopra contra a sociedade brasileira que ainda não se deu conta da venenosa brisa. Eles são muito bons em pregar direitos humanos, porém apoiam governos totalitários e ajustados com o crime organizado. Rendem cultos a genocidas e praticantes de crimes contra a humanidade. Mascaram a dimensão criminosa do que foi o verdadeiro comunismo.
Há muito a sociedade brasileira vem sendo privada de suas responsabilidades, ‘são sempre ‘eles’ que decidem’. Está em curso um método silencioso que poderia ser denominado ‘guerra cultural’, onde todos estão se movendo na direção que as ‘grandes mentes’ desejam, acreditando que tomaram a decisão por si mesmos.
O mundo não é assim. As coisas não estão em seu curso normal. Há algo errado e todos precisam raciocinar e questionar a respeito. Existe um projeto de desmantelamento por detrás de toda essa confusão. Estão manipulando o Direito, o medo, a informação, conceitos, educação nas escolas, linguagem, enfim, a própria ciência está a serviço de uma ideologia perniciosa que destrói valores e princípios imprescindíveis à vida em sociedade.
A arma operacional é a cultura. O alvo é a juventude. É a ‘fabricação do consentimento por métodos ‘pacíficos’ e imperceptíveis’.
Nadir Cabral
Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.