Orgia


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Recentemente um jovem que nunca havia visto e, nada diferente da liberada juventude em todos os sentidos, inquiriu-me de maneira, quem sabe: torpe. – Tio, quantos anos você tem? Cravei-lhe a resposta de imediato: – 18 anos. Observei-lhe espanto mirando meus cabelos brancos. Aparentando dúvida, retomou a questão: – Mas, tio – com incrédulo risinho –, apesar da boa aparência, faz denotar mais que isto! – É verdade, a visão é correta, no entanto, devo aclarar alguns pontos que você pode não ter considerado. Os anos que tenho na sua avaliação, já não os tenho, foram vividos se esgotando na celeridade do tempo. O fato me leva a pensar na responsabilidade que tenho em atribuir-me funções junto à sociedade que possa ser considerada contributiva para crescimento ético, moral e respeitoso. Cabe-me proteger crianças e idosos, aquelas, herdeiras do futuro, estes, detentores de direitos conquistados no árduo trabalho de construção de uma pátria. Tenho sim, 18 anos a viver buscando sabedoria. A mocinha atendeu-me ao telefone com ardidez na voz, como se fora eu seu homem, cacho ou mesmo uma dessas relações fugazes do cais do porto. Até pensei ter me enganado com o numero do telefone do doutor que procurava. Quando se conseguiu entrar no diálogo, estourou em meus ouvidos um jeito rachado de voz para saber: “quem gostaria de estar falando com ele? Se você pode estar me passando seu nome e telefone, eu posso estar anotando e ele ao chegar vai estar te ligando”. Seguiu-se uma série de questionamentos inoportunos em gerundial cumulativo que o próprio gerúndio não aceita. Investiu-se depois de acidente trágico no cruzamento da Saldanha Marinho com Alonso Y Alonso em semáforo e sinalização, no entanto, a ignorância e desrespeito campeiam entre motoristas. Tenho observado diariamente infratores virando à esquerda rumo a Saldanha Marinho sem obediência ao sinalizado. Urge plantão permanente no local penalizando drasticamente os ignorantes com o mínimo de apreensão do veículo e cassação de carteira mal concedida. Quando, ao ver frustrada nossa crença de retidão no mais importante dos poderes da república – o judiciário –, é natural que nos quedemos sem fé, desesperançados e abatidos pela ignomínia. Quando abrir o jornal do dia se transforma em suplício com a leitura de ato de um ministro, presidente do Superior Tribunal de Justiça, Asfor Roch,a suspendendo uma ação em andamento contra as propinas da Camargo Corrêa no famoso Castelo de Areia com pagamento ilegal ao PT e PMDB, que tela se pode pintar do judiciário? Quando a procuradora da República, Karen Kahn, aponta evidências nos documentos reunidos pela Policia Federal sobre propinas, o STJ alimenta dúvidas impedindo andamento do processo. Os fatos aqui relatados apontam a orgia em que vivemos. Garcia Netto Jornalista

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