A Couromoda valeu


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Valeu. Finalmente após 3 feiras desanimadoras, tristes, vivemos uma sorridente e cheia de otimismo. Corredores cheios, pessoas se acotovelando para entrar nos estandes. Parecia mais uma feira de Gangzhou do que aquelas que temos visto ultimamente. Ainda bem. O comércio e, principalmente, os industriais precisavam deste alento. Os últimos tempos não foram fáceis. Bem que merecemos alguma luz no horizonte. O perigo agora está num outro lugar. Está escondido atrás da mentalidade dos brasileiros que, ou são vítimas do catastrofismo ou, de euforia, na maioria das vezes, sem justificativa. A feira foi boa, se não ótima. Mas considerar que com isso todos os problemas foram resolvidos seria de uma ingenuidade pueril. O setor varejista e por tabela, os produtores dos bens de consumo, não podem enxergam um horizonte risonho, de prosperidade geral, um mar plácido, um céu de brigadeiro. Oxalá fosse assim. As estatísticas oficiais publicadas nos últimos dias sobre os resultados do ano passado desmentem a euforia oficial do ‘já ganhamos’. O emprego ainda não recuperou os níveis de antes da crise, a indústria em geral perdeu quase dez por cento da produção, a balança comercial fechou negativa depois de anos de superávit. Ou seja: ainda falta muito para podermos dizer que a crise foi dominada. Este é o cenário interno. Lá fora está bem pior. Nouriel Roubini, economista americano que avisou e previu o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos e que descobriu a fragilidade do sistema financeiro, já está avisando sobre o perigo de outra bolha - o pessoal não aprende - baseada na especulação com commodities, tornada possível com dinheiro virtual e jogo de especulação. Exemplo: minério de ferro. A produção do aço diminuiu, a produção do minério está nos seus níveis normais. Onde está a razão de aumento de até 60% no preço? O mesmo vale para petróleo, cotações de alimentos etc. O problema se chama especulação e ganância imoral. Se é que algum dia tenha havido moral. Os economistas mais relevantes nos dizem que a recuperação da economia europeia levará de dois a três anos. O que irão fazer os países atingidos para se recuperarem mais depressa? Vão dificultar as importações e promover, subsidiar as exportações. No nosso caso específico, teremos que enfrentar a Itália, Espanha e Portugal e, pior, em posição desvantajosa em termos de logística e moeda. Qual é a estratégia recomendável para nossos empresários para não se deixarem entusiasmar demais pela falsa euforia? O conselho da dona do Magazine Luíza nunca esteve tão válido como agora: ‘Sentar em cima do cofre!’. Aproveitar ao máximo a euforia dos mercados, vender o que for possível em condições vantajosas e, com os resultados, reforçar o capital de giro e criar reservas para trabalhar com mais facilidade sem precisar se sujeitar a condições, muitas vezes maldosas, impostas por compradores inescrupulosos. Investimentos, só os realmente necessários que irão acrescentar qualidade ao produto ou à produtividade da empresa. Investimentos para satisfazer a vaidade ou para satisfazer o ego e impressionar concorrentes, poderão ser fatais. Falta muito para o mundo entrar nos eixos; falta muito para a economia mundial, da qual hoje o Brasil é um dos participantes ativos, se consolidar e viver condição de tranquilidade e, nestas condições, toda cautela é pouca. Agradeçamos por termos tido uma feira como há muito não se via, mas, nem por isso, podemos perder o senso da realidade. Como diziam os velhos romanos, não podemos tomar uma nuvem por Juno. <b>UMA HISTÓRIA</b> A firma francesa LeMaitre ,de calçados de segurança foi duramente criticada pela atitude que assumiu ao convidar seus operários para mudar da cidade de Le Wack, na região de Estrassburgo, para a Índia, se quiserem manter os seus empregos. <b>O SALÁRIO</b> O salário oferecido foi de 700 Euros por mês, baseado nos salários pagos na Índia para os estrangeiros. Levando-se em conta o custo de vida na Índia, até que este salário permite um nível de vida razoável. A LeMaitre declarou à mídia francesa que este salário era dez vezes maior que o usualmente pago aos operários indianos. <b>CORTE DE EMPREGOS</b> Depois da queda de 30 % nas vendas, LeMaitre anunciou o corte de 42 posições de trabalho. A opção oferecida foi de continuar produzindo o mesmo calçado em Kanpur, na Índia, onde está situada a empresa associada Rahman, que tem participação de 50% na LeMaitre. <b>NINGUÉM FOI</b> Até a presente data nenhum operário se decidiu a mudar para a Índia. Como curiosidade ,vale a pena mencionar que a LeMaitre ofereceu parceria há alguns anos atrás à mineira Marluvas, de Dores de Campos mas, pelo visto, apostou na Índia. <b>Zdenek Pracuch</b> <i>Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br</i>

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