Novo sindicato entra na disputa salarial dos sapateiros de Franca


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Mesmo sem ter representatividade oficial, o Sindicato dos Sapateiros presidido por Fábio Cândido, entrou na briga pelos salários da categoria. Ele convocou uma assembleia na manhã de ontem, conseguiu reunir cerca de 80 trabalhadores e definiu a pauta de reivindicações da campanha salarial de 2010. O documento será entregue amanhã ao Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados). Apesar da medida, Fábio ainda não é o líder reconhecido dos sapateiros. Desde 1995, ele vem tentando ocupar o posto por meio de ações judiciais. Como o atual sindicato - liderado por Sebastião Ronaldo de Oliveira - recorreu a todas as instâncias, o processo vem se arrastando. Agora, após seguidas vitórias na Justiça e na iminência de conseguir o registro sindical, que Fábio prevê para os próximos dias, está motivado a encampar as negociações. Em novembro de 2009, uma decisão da Justiça do Trabalho suspendeu o bloqueio da sua Carta Sindical. “Já pagamos a taxa exigida pelo Ministério e, agora, falta apenas a publicação que deve sair em dez dias. Não adianta chiar. Finalmente nossa luta chegou ao fim”, disse Fábio. Crente que já é o novo representante da categoria, Fábio apresentou a lista de pedidos aos sapateiros e prometeu brigar por melhores salários. Entre as principais reivindicações, está o aumento do piso salarial de R$ 558 para R$ 850, além de aumento para todas as faixas salariais de 15%. Se depender da atual base, Fábio não sentará um único dia na mesa de negociação com o Sindifranca. Para Sebastião Ronaldo, o novo sindicato só será legítimo quando o processo judicial, que discute a representação, estiver encerrado no STF (Supremo Tribunal Federal). “Consultamos o STF na sexta-feira e não havia nenhuma novidade em relação a isso. É apenas conversa para tumultuar as negociações. Fato que não é novidade porque todo ano ele aparece com alguma coisa”, disse. A base de Ronaldo também encaminhou a pauta da campanha salarial aprovada em assembleia pela categoria e pede R$ 780 de piso e 15% de reajuste. O presidente do sindicato patronal, José Carlos Brigagão do Couro, disse, ontem, que a entidade vai discutir a pauta daquele que estiver habilitado a negociá-la. “O Fábio precisará apresentar o documento do Ministério do Trabalho comprovando que ele é o representante da categoria. Se isso acontecer, vamos negociar com ele. Por enquanto, o sindicato reconhecido é o do Ronaldo”.

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