De segunda a sexta-feira, o auxiliar de saúde José Wilker da Rocha Corsini, 33, entra às 9 horas para trabalhar no NGA (Núcleo de Gestão Assistencial). Passa o dia fiscalizando e organizando a entrada e saída de remédios no estoque. Às 18 horas, termina seu expediente. É quando, de quinta a domingo, exerce sua outra profissão: a de personal dancer. Há quatro meses, ele recebe R$ 20 por hora para acompanhar mulheres em bailes e festas para dançar.
José Wilker começou a dançar há seis anos, quando um amigo dançarino e professor o ensinou as técnicas de vários estilos. “Aos poucos fui conhecendo mais pessoas, percorri bailes e fui me aperfeiçoando”.
Ao frequentar as noites de Franca, percebeu a necessidade de parceiros “homens” nos salões. “Via muitas mulheres sentadas, à espera de um convite. Teve vezes que já dancei com dez mulheres diferentes em apenas uma noite”, disse.
O auxiliar resolveu usar o seu gingado em busca de uma grana extra. O funcionário público cobra R$ 20 por hora para ser parceiro na pista de dança ou para dar aulas em casa. As mulheres podem contratá-lo em grupo. “Danço pelo mesmo preço com até cinco amigas”, disse.
A ideia surgiu depois que um amigo comentou sobre o sucesso da profissão em São Paulo. “Depois disso, achei que podia fazer a mesma coisa aqui em Franca. Para ter certeza de que daria conta do recado, trabalhei de graça algumas semanas. Como deu tudo certo, comecei a cobrar”.
O personal dancer disse que trabalha com homens, mulheres e crianças. “Atendo todo mundo que precise de uma companhia para dançar ou queira aprender. Ensino do forró ao bolero. Se for necessário, vou até a casa do interessado”.
José Wilker disse que se inspira em Michael Jackson e Patrick Swayze em suas danças. “Sempre admirei o jeito que Michael Jackson dançava e adora os filmes Dança Comigo e o Dirty Dancing”, disse.
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Sobre o risco de envolvimento amoroso com suas clientes, José Wilker (que está solteiro) disse que já namorou muitas mulheres que conheceu por meio da dança, mas que separa bem o lado profissional do pessoal. “Sempre namorei pessoas que gostavam de dançar, temos mais afinidades, mas meu trabalho é profissional, respeito muito o que eu faço e minhas clientes. Não tem essa de paquera”, disse
Apesar de já estar trabalhando no ofício há quatro meses, José Wilker ainda não tem uma clientela fixa. “Aqui em Franca ainda há um pouco de preconceito e também muitas pessoas desconhecem este tipo de serviço”.
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