Solidariedade é o “estado ou condição de duas ou mais pessoas que repartem entre si, igualmente, as responsabilidades de uma ação, empresa ou de um negócio, respondendo todas por uma e cada uma por todas”. Também é “mutualidade de interesses e deveres”, segundo a média das definições oferecidas em dicionários.
Sociologicamente falando, “a condição grupal resultante da comunhão de atitudes e sentimentos, de modo a constituir o grupo unidade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se ainda mais firme em face da oposição vinda de fora, também é solidariedade” (Dicionário Michaellis).
É solidário, portanto, o grupo de pessoas que, fundamentado na mutualidade de interesses e deveres, se dedica, por exemplo, a doar sangue; mas também foi solidário o grupo que comungou atitudes e sentimentos para desancar a moça do vestido cor-de-rosa justíssimo na Uniban, ano passado, lembra-se?
São solidários os anônimos que, estimulados pelo conhecimento de desgraças que se abatem sobre terceiros, tiram de si, mesmo sem poder, para melhorar a vida daqueles que sofrem; mas também são solidários traficantes, que não deixam faltar a droga a seus usuários, independente de haver ou não, dinheiro para pagar, “naquele momento de necessidade”.
É solidário quem é capaz de tirar a própria camisa para aquecer quem tem frio; mas também é solidário aquele que ajuda o amigo a mentir, a enganar, a garantir que a verdade não prospere. Você pensou em políticos? Em alguns políticos?
O terremoto que explodiu na junção das placas tectônicas do continente americano e da região do Caribe com a força de bombas atômicas com o dobro da potência das que destruíram Hiroshima e Nagasaki, no Japão, quase varrendo do mapa a capital do Haiti, Porto Príncipe, deu origem a uma onda de solidariedade mundial. De outro lado, apareceram pessoas solidárias em achar que o Haiti, um país pobre e negro, deva mesmo desaparecer do mapa, como deixou escapar o cônsul-geral daquele país em São Paulo, George Antoine, antes de iniciar entrevista sobre o terremoto, sem saber que estava sendo gravado: ‘A desgraça de lá tá sendo uma boa para a gente aqui ficar conhecido (...). Aquele povo africano acho que de tanto mexer com macumba (...) em si tem maldição. Todo lugar em que tem africano tá f...’.
Lá morreu Zilda Arns Neuman, brasileira, irmã do Arcebispo emérito de São Paulo, Paulo Evaristo Arns, em pleno trabalho solidário de sua Pastoral da Criança, atividade adotada pela Unicef. Buscava resultados contra outra ação solidária empreendida naquele país: o uso de crianças como mensageiras, espiãs, transportadoras de armas e integrantes de grupos armados permanentemente em guerra, segundo disse o porta-voz da Unicef, Damien Personaz.
Pois bem. Solidariedade é uma faca de dois legumes, como diria Dinho, do Mamonas Assassinas, grupo que “repartiu entre si, igualmente, as responsabilidades de uma ação, empresa e de um negócio, respondendo todos por um e cada um por todos” até na morte, em acidente de avião.
Ser solidário neste mundo estranho e conturbado, onde mais e mais gente prefere se locupletar a estender a mão para safar o outro, é um problema. A receita para não errar é estar atento. Se uma causa o chama, conheça-a profundamente antes de dedicar-se. Não dê de si apenas para ficar em paz com sua consciência.
<b>AINDA, O TOBI</b>
Conversei com Gisele, a moça que tirou um cão atropelado da rua, deu-lhe assistência veterinária e, vendo-o curado, ofereceu-o à doação. Contei a história semana passada, nesta coluna. Grafei lá o telefone dela (9171.8990) para alguém interessado levar o animal para casa, dividindo a solidariedade positiva que ela demonstrou com o animal. Muitos manifestaram-se, preocupados com o cão, emocionadas, aplaudindo a coragem da moça, mas ninguém ligou para, pelo menos, conhecer o animal. Solidariedade?
<b>EM RIBEIRÃO PRETO</b>
Estive ontem em Ribeirão Preto representando este Comércio na posse de Vanir José da Silveira Júnior, na Delegacia Seccional de Polícia daquela cidade. Ouvi, do – também – novo delegado do Deinter, comando geral da Polícia Civil regional, Walmir Granucci, que “mexerei em cargos e em pessoas que os ocupam quando isso for necessário. Sempre prestigiarei a competência e a vontade de trabalhar”. Foi ele que levou à Seccional de Ribeirão, Vanir José; Marcelo Caleiro à Seccional de Franca; Sebastião Picinato à Seccional de São Joaquim da Barra. Ações solidárias em reconhecimento à força da Polícia Civil de Franca.
<b>CVV</b>
O CVV, entidade que ajudei a trazer para Franca ao início da década de 80, dedicado a oferecer apoio telefônico e pessoal a quem tem problemas, ação solidária por natureza em um mundo onde praticamente ninguém sabe ouvir, está em busca de novos plantonistas voluntários. Realizará 2 cursos de seleção - o primeiro, dias 23 e 24 e o segundo entre os dias 25 e 28 de janeiro - em sua sede, à Rua Carlos do Carmo, 419. É a oportunidade que você procurava para reapreender solidariedade, a verdadeira, aquela que não espera contrapartida. Ligue ao 141 e se informe. Em tempo: você não precisa ter diploma de nada.
<b>Luiz Neto</b>
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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