Ana, Marta, Maria, Rita, Conceição, Helena, Roseane. Em Franca, são aproximadamente 350 voluntárias, que, ao menos uma vez por mês, deixam seus afazeres particulares para colocar em prática os ensinamentos da médica pediatra e sanitarista Zilda Arns - morta no terremoto do Haiti - na Pastoral da Criança. Devidamente uniformizadas com a camiseta símbolo da pastoral, as líderes, como são chamadas, vão até as famílias mais carentes acompanhar o desenvolvimento das crianças de zero a seis anos e também das mães no período de gestação.
Elas não recebem pelo trabalho, mas se dizem recompensadas por ajudar a salvar dezenas de vidas. Na Diocese de Franca (que abrange 13 municípios), são quase 25 anos de atividade, 700 líderes na ativa e mais de quatro mil crianças atendidas.
A dona de casa Eurípedes de Fátima Costa Ferreira, 52, participa como líder da Pastoral da Criança há 22 anos e hoje não sabe como seria a sua vida sem o trabalho. Na última semana de cada mês, ela sai em dupla e visita cinco famílias com nove crianças para saber se estão com a vacina em dia, se ganharam peso, tiveram febre ou diarreia, como estão os cuidados com a higiene, a alimentação e também para levar uma palavra de apoio ou ouvir um desabafo dos pais. “É um trabalho de amor e entrega. Temos também que levar carinho e atenção, pois são crianças carentes de tudo, não só de bens materiais”.
As visitas duram, no mínimo, meia hora, Eurípedes se torna íntima da família e se apega às crianças. Faz dezenas de perguntas e anota em uma caderneta. Cada criança tem uma página para controle do desenvolvimento. “Quando a gente chega é uma alegria, muitas vezes a gente fica horas com uma única família. A recompensa vem de Deus. Ele meu deu uma família linda e unida e essa é uma forma que encontro para retribuir”.
A história da pespontadeira Euripedina Tomazia Pereira Mendes, 52, na Pastoral da Criança já dura 14 anos. Para ela, que mora no Jardim Palma, o trabalho é uma maneira de ajudar o próximo com atitudes simples. “É muito gratificante, somos missionárias. Vemos casos que nos deixam muito tristes, mas depois com trabalho da Pastoral conseguimos resultados maravilhosos, depoimentos de superação e de mães que desistiram do aborto ao receber o apoio da Pastoral da Criança”.
Para a líder que acompanha oito famílias no bairro em que mora, Zilda Arns é um exemplo. “Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente quando esteve em Franca. Ela era uma pessoa especial, simples, amada, acolhedora”, disse, com lágrimas nos olhos.
Ontem, durante visita das líderes, a coladeira desempregada Eliane Cristina Luiz, 35, mãe de seis filhos, reconheceu o trabalho feito pelas mulheres. “Depois que elas começaram a vir até em casa, muita coisa mudou. As crianças agora comem direito. Eles eram magrinhos e se desenvolveram muito”, disse.
Eliane tinha dificuldades para entender as crianças, saber quando estavam doentes ou com fome, agora consegue desempenhar melhor seu papel de mãe. “Elas (as líderes) me ensinaram bastante coisa, dou mais atenção para meus filhos, sei quando estão com dor, fome. Tenho mais cuidado”.
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