A pobreza e os jovens


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O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou em seu comunicado de 12 de janeiro, o resultado de extensa pesquisa que constata ser possível o Brasil vencer a extrema pobreza até 2016. Essa é, certamente, informação auspiciosa e positiva para o Brasil. Essa possibilidade afirma-se sobre dados consolidados nessa década. Considera-se a estabilidade monetária, a expansão da base produtiva, o reforço das políticas públicas (elevação real do salário mínimo), a ampliação do crédito popular e a reformulação e ampliação dos programas de transferência de renda às camadas menos favorecidas economicamente. Vale destacar esse último fator como fundamental no desenvolvimento que as regiões norte e nordeste vivenciam atualmente, contrapondo-se à resistência conservadora de representantes da elite que, na imprensa e na sociedade, insistem em negar os feitos do Presidente Lula. O estudo do Ipea apresenta diretrizes que devem nortear as políticas públicas futuras na continuidade desse enfrentamento da pobreza e da desigualdade de renda. Para tanto, destaca experiências de combate à pobreza desenvolvidas em outros países, mostra um panorama da pobreza e da desigualdade no Brasil e as perspectivas para o País se mantida a atual trajetória de combate e, por fim, apresenta uma constatação de limites que existem no avanço das políticas públicas comprometidas com o fim da pobreza e da desigualdade. Esse último aspecto do trabalho, os limites das políticas públicas, é que merece nossa atenção nacional e local. O Estado `nem` tudo pode. Sabemos que em um regime capitalista e de livre mercado pesa muito a capacidade criativa e empreendedora dos detentores do capital; ou seja, quem estabelece as regras de funcionamento do mercado pode até ser o Estado, mas, a a prática e o desenvolvimento estão nas mãos do capital. Assim, no plano local, é importante pensar nossa indústria de calçados e demais setores produtivos. Viveremos nos próximos anos uma mudança de paradigma no setor calçadista. Essa mudança não decorrerá apenas do aumento da competitividade global mas, também, porque a nova geração de trabalhadores jovens tem suas expectativas de trabalho aumentadas e modificadas. Os jovens, definitivamente, não estão mais desejando o chão da fábrica como sua base de realização profissional. A internet está provocando uma mudança profunda no pensamento dos jovens de hoje. O trabalho na indústria calçadista, considerando as atuais bases, não oferece perspectivas de crescimento e de ganho para os jovens e, assim, se consideram trabalhadores temporários na indústria calçadista. Dias atrás conversava com um grupo de sapateiros jovens, na porta de uma fábrica, e eles diziam que ficariam só temporariamente nos seus empregos porque estavam concluindo cursos de informática, de design e outros, e intencionavam seguir o mais rápido possível a essas carreiras. Elaborar políticas públicas e ações privadas que visem o combate à pobreza, deve considerar essa movimentação, de grandes mudanças, que ocorre entre os jovens e seus reflexos na indústria de calçados. Cassiano Pimentel Agente de exportação e professor universitário

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