Algumas pessoas simplesmente adoram aparecer. Não podem ver uma máquina fotográfica ou uma filmadora que se jogam na frente delas. A mania "Robert" de ser ganhou fôlego na última década graças ao programa Big Brother Brasil, que virou febre no País e cuja décima edição começa hoje, dia 12, na TV Globo. Tudo bem quando a opção de saltar em frente às lentes é do personagem, do ator, da cantora ou do "Robert" em questão, mas o que dizer quando as câmeras estão longe dos holofotes do Projac, o centro de produções da Rede Globo, e você não pode escolher ser vigiado ou não, como nas empresas, lojas, ruas e avenidas monitoradas 24 horas por dia? Em virtude do aumento da violência a maioria das empresas de grande e médio porte atualmente tem câmeras instaladas nas suas dependências. Aos funcionários resta saber que estão sendo vigiados e estar conscientes disso. Isabel Braga, auxiliar de um escritório de Contabilidade na cidade, trabalha sob o atento olhar das câmeras há cerca de quatro anos. Hoje afirma se esquecer do aparelho tecnológico que traz segurança não apenas para o escritório, mas também para a vizinhança. "A casa da frente foi assaltada e a câmera do nosso estacionamento ajudou a identificar a placa do carro dos marginais", comenta. Isabel, assim como Denise Tostes de Oliveira, do atendimento do Shopping do Calçado, não mostra timidez diante da possibilidade de estar sendo vista a todo momento. Até porque na imensa maioria das vezes as gravações somente são assistidas quando um problema de segurança acontece na empresa. "Ninguém fica assistindo o que estamos fazendo em tempo real, mas de qualquer forma as câmeras não impedem uma ou outra brincadeira interna, entre funcionários", conta Isabel. No Shopping do Calçado foram investidos cerca de R$ 20 mil em 16 câmeras que vigiam tudo o que acontece nos corredores e estacionamento do local. Luciano Hannouche, superintendente do centro de compras, conta que já viu de tudo nas gravações, desde carros em alta velocidade nas proximidades do empreendimento até funcionários entrando e saindo do Shopping depois do expediente normal. O "costume" de estar sendo visto a todo momento pelas câmeras não faz Luciano ser mais simpático a elas. Ele defende o uso do equipamento em ambientes profissionais, mas é categórico ao afirmar que não participaria, de maneira nenhuma de um programa como o Big Brother. "É exposição demais", conclui. Denise, sua funcionária, pensa diferente. Acostumada com a vigília constante, ela não veria problema em participar. O custo médio para a instalação de um sistema de segurança com monitoramento de imagens é de R$ 1,8 mil com um bom computador para receber as gravações. Além disso gasta-se entre R$ 140 e R$ 800 por câmera, mais mão de obra e monitoramento profissional, que começa custando R$ 65 por mês e pode chegar até R$ 400. O monitoramento não é obrigatório e as imagens podem ficar armazenadas diretamente no computador da empresa. As câmeras podem estar ligadas a um sistema de alarme. Quando acionado, ele manda automaticamente as imagens para a empresa monitoradora e acende todas as luzes do local.
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