As agulhas


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Como explicar o aparecimento de agulhas no corpo de um menino, conforme foi amplamente divulgado? Pelo que foi noticiado o padrasto da vítima assumiu autoria da prática maldosa, que teria a finalidade de atingir a mãe da criança. Isso representaria a solução aparente para o instigante problema. No nosso entendimento, porém, restam algumas questões não esclarecidas. Por exemplo: como ele colocou as agulhas? Segundo o depoimento do padrasto, ele e duas outras mulheres, em ritual místico, embebedavam o menino com vinho e, depois, colocavam as agulhas. Entretanto, colocavam como? Diretamente no órgão? Isso é impossível, porquanto duas agulhas estavam no coração. Como atingir o coração diretamente sem provocar a morte do corpo? As agulhas eram dissolvidas em algum líquido? Impossível, vez que elas aparecem íntegras nas radiografias. Foram colocadas através da pele? Também impossível, porque, conforme depoimento de autoridades médicas, agulhas colocadas na pele não se locomovem até os órgãos. Dessa maneira, acreditamos que o acontecimento não está, totalmente, esclarecido. A parapsicologia, no campo da psicocinesia, estuda fenômenos aos quais dá a denominação de aporte, isto é, o aparecimento de objetos trazidos de fora para dentro. Segundo os estudiosos desta área de conhecimento, os fenômenos são mais comuns na infância e adolescência em virtude da abundante energia psíquica desta fase da existência. Em casos de agulhas, dizem também que, muitas vezes, o próprio sujeito em quem elas aparecem é que, mentalmente, provocam o fenômeno, querendo, com isso, chamar a atenção dos familiares ou, inconscientemente, punir-se de alguma falta cometida. Trata-se de fenômeno não muito raro. A literatura está farta de notícias sobre tais acontecimentos e a própria televisão já mostrou fatos semelhantes ocorridos aqui perto, em Jaboticabal (SP) e outro acontecido no Rio Grande do Sul. Para o Espiritismo, eliminadas todas as possibilidades materiais que pudessem provocar o fenômeno (e só aí!), trata-se de uma intervenção espiritual. Entidades perversas, vingativas e dominadoras de tecnologia dos fluidos são capazes de provocar nos seus desafetos o aparecimento de agulhas, pregos, parafusos, cacos de vidro e outros instrumentos de tortura. Evidentemente que a criatura que apresenta tais ‘aportes’ passa por semelhante acontecimento porque é devedora perante a lei de Deus, inscrita na sua própria consciência. Assim, conscientemente ou inconscientemente, provoca o fenômeno, causando em si mesmo este tipo de flagelo. Nestes casos, não adiantam rituais, exorcismos ou incensos. O que determina a cessação do fenômeno é o esclarecimento dos espíritos agentes dos fatos, além de mudança mental e moral do milenar espírito encarnado na pessoa atingida, bem como de seus familiares, a fim de romper a sintonia com as entidades perturbadoras. Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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