É fundamental que os encarregados pela gestão de políticas públicas tenham uma visão atual e futurista dos reais desafios de cada setor social. Não podemos mais conviver com o ‘improviso’ e com a falta de modernidade existente nas administrações públicas (em todos os níveis e, mais especificamente, no município).
Não é de hoje que os técnicos e profissionais da educação, somados à sociedade, alertam para a urgência de mudanças na estrutura educacional brasileira. Há oito anos, correndo contra o tempo e contra o atraso crônico brasileiro e ocupando o cargo de Secretário da Educação de Franca, propus que começássemos a discutir a transformação das nossas escolas municipais em escolas de período integral. Naquela oportunidade, levei vários profissionais da Secretaria para conhecer experiências de escolas, públicas e privadas, nessa mudança. Aliás, boa parte da atual equipe municipal da Educação participou desses estudos (inclusive a atual Secretária). Tive pouco tempo à frente da Secretaria mas deixamos a semente plantada e estudos preliminares realizados. Entretanto, cinco anos se passaram e a atual administração nem sequer sinalizou sua intenção em garantir às nossas crianças essa oportunidade impar de inclusão social.
Agora, sim, a Prefeitura diz haver essa possibilidade em algumas escolas, por conta de uma situação emergencial decorrente da mudança da política para as creches. É uma pena que a Educação em período integral seja apenas um ‘quebra-galho’ e não uma política pública.
Precisamos considerar, nesse tema, que o século XXI será o do desenvolvimento das habilidades pessoais, dando impulso aos valores humanos. A UNESCO, compreendendo isso, indicou através do Relatório Jacques Delors, os quatro pilares da educação para o século XXI: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a conhecer. Qualquer pessoa, sintonizada com o momento histórico que vivemos, sabe que esses pilares propõem uma mudança radical na práxis e no conteúdo educacional. O Brasil, considerando seu tamanho, sua importância e suas possibilidades presentes e futuras, precisa discutir o seu modelo educacional, tendo a estrutura ‘local’ como espaço privilegiado para essa discussão. Preocupo-me com a prática possessiva e centralizadora que impera na atual administração municipal e que não cria espaços e oportunidades para que profissionais e interessados possam discutir e propor um novo modelo – moderno e dinâmico – para a educação no município.
Escolas em período integral possibilitam diversificação curricular e qualidade na formação do ser humano. Diz o sociólogo francês Edgar Morin que é necessário ‘ensinar a condição humana’ nas escolas e que ‘o ser humano é a um só tempo físico, biológico, psíquico, cultural, social e histórico, sendo essa unidade complexa da natureza humana totalmente desintegrada na educação por meio das disciplinas, tendo-se tornado impossível aprender o que significa ser humano e, desse modo, a condição humana deveria ser objeto essencial de todo ensino’.
Espero que o Sr. Prefeito, antes de assumir um cargo fora de Franca, possibilite essa discussão.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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