Sentada na sala de espera da DDM, a mulher agredida e ameaçada chorava sem parar.
<b>Comércio - Ele a ameaça?
Mãe</b> - Ameaça. Ele fala assim: "Ou você arruma R$ 30 agora ou some daqui porque aí eu tenho aonde arrumar". Faz quatro anos que estou sofrendo. Não tenho onde dormir porque eu tenho que ir para a rua.
<b>Comércio - E sua perna? Ele fez (machucada) com uma faca?
Mãe</b> - Foi. De nervoso porque queria dinheiro e eu não tinha. Onde é que eu vou arrumar? Vou roubar para ele?
<b>Comércio - E não é a primeira vez que ele parte para a agressão?
Mãe</b> - De uns tempos para cá é todo o dia. Ele tá muito viciado.
<b>Comércio - A senhora mora sozinha com ele?
Mãe</b> - É só eu e ele. Sofri e batalhei tanto para criar ele. Mas eu cansei, sabe? Eu cansei, cansei. Acho que para ele aprender, pelo sofrimento que ele está causando para mim, ele tem que ficar fechado lá. Isso dói porque eu não quero o mal. Quero a cura dele. Ele promete pra mim que vai parar, mas fica só um dia sem (consumir drogas), um dia. Não aguenta.
<b>Comércio - A senhora não tem medo dele fazer algo pior?
Mãe</b> - Claro. Quando ele pega o dinheiro e sai (para comprar drogas), eu oro. Já ponho a testa no chão e peço: "Ó Deus se for para ele voltar, chegar aqui ameaçando, pedindo mais dinheiro, não traz ele de volta não. Some com ele. Tá na mão do Senhor, não deixa ele entrar na minha casa mais não". Passa uma hora, duas horas e ele está chegando. Deus não escuta meu pedido.
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