O padeiro José dos Reis Sousa, 58, sofre do mal de Parkinson e está com o movimento do lado esquerdo do corpo comprometido. O simples ato de amassar o pão tornou-se um desafio. Por causa de uma osteoporose, sente dores intensas na coluna. Há um ano, entrou com pedido de afastamento no INSS e passou por duas perícias. Os médicos dizem que ele está apto para o trabalho e não concedem o benefício. Como tem de garantir o sustento da família, José segue trabalhando.
O drama do padeiro foi revelado pela neta Camila da Silva Martins. Sensibilizada com a dor do avô, a garotinha de sete anos escreveu uma carta para o radialista Hélio Rodrigues, da Rádio Difusora, pedindo ajuda em nome de todas as pessoas doentes que precisam do INSS. “Gostaria que você entrevistasse a pessoa responsável pelo INSS e dissesse a ela que o povo, quando vai ao INSS, não vai de graça. Muitas vezes, tira da boca todos os meses para pagar o INSS”.
<b>Ouça abaixo o gerente do INSS de Franca, Luiz Fernando Goffi:</b>
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A reportagem esteve na casa de José dos Reis na manhã de ontem. Ele caminha com dificuldade, não tem firmeza no pé esquerdo e permanece o tempo todo com a mão trêmula. Havia acabado de chegar do serviço. Há cerca de seis anos, trabalha na Padaria Pão e Arte. Leva o dobro de tempo para fazer um serviço que gastaria três horas. “Faço duas grades de pão e tenho de deitar no cimento por causa das dores. Minha coluna entortou. Estou andando torto igual a um caminhão quando quebra o eixo”.
José dos Reis começou a pagar a contribuição previdenciária em 1971. Como passou algum tempo sem quitar o compromisso, não conseguiu se aposentar. Falta um ano e oito meses. Como as dores e a falta de mobilidade se intensificaram, ingressou com pedido de afastamento no INSS no começo do ano passado. Duas perícias depois, não conseguiu convencer os peritos de que não tem mais condições de continuar trabalhando. “Vou lá e os médicos nem olham na minha cara. Eles sempre inventam uma desculpa, dizem que está faltando alguma coisa, mas não explicam direito”.
O padeiro ingressou na Justiça para tentar se aposentar por tempo de contribuição. Não conseguiu. Agora, tentará novamente alegando incapacidade para o trabalho. “Não dão bola para o estado em que a gente está. Estou praticamente aleijado. Não tenho condições de andar”.
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