Na quinta feira, 31 de dezembro de 2009, este Comércio amanheceu de cara triste. Trouxe no cabeçalho da primeira página uma tarja preta, de luto por perda irreparável. Um qualificado articulista reconhecido em suas publicações por mais de 60 anos, havia sido convocado a colaborar em estágio superior.
Muitos estão comentando o fato de maneira e motivos diferentes. Alguns dizem: tombou-se uma grande aroeira de nossa literatura. Outros lamentam já com saudade e, tristes, a ausência da brilhante arte da oratória. O alunato de tantas décadas sofre o pesar do passamento de figura tão ilustre e destacada importância em suas vidas.
O mundo jurídico, – membros da área do direito – posta-se a chorar copiosamente o desfalque em seu meio de um comportamento de respeito ético e sabença judiciária. Os autores e intelectuais falam da perda de um clássico literato, crítico ponderado e justo. Os leitores se queixam da falta de seus livros ou textos veiculados em jornal.
Um clube de serviço – Rotary – se enluta com a ausência de sua participação.
Os jornalistas já não terão a luz de seus ensinamentos e experiência dedicada por tantos anos dando nobreza à profissão. A igreja que frequentou como devoto fiel soldado, defensor da fé cristã, entoa hinos em seu louvor. A família perde sua coluna-mestra, instituída há 66 anos quando ocorreu seu casamento com a senhora Nydia de Castro Palermo, união que perdurou por tão longo período dentro dos melhores princípios de dignidade, amor e carinho.
Falamos de Alfredo Palermo, que, neste mundo, nesta Franca que o amou, soube cumprir suas tarefas integralmente. Até mesmo para partir foi-lhe designado o último dia do ano em que viveu.
Advogado, professor, diretor, escritor, deputado federal, historiador, membro das Academias de Letras de Franca e Ribeirão, crítico literário, professor e cidadão emérito, Alfredo Palermo dedicou sua vida ao ensino de Franca, dando-lhe propulsão ao desenvolvimento.
Não se escreverá a história da cidade sem aludir-se a sua figura nitidamente envolvida com a cultura, o jornalismo, a literatura e o ensino, ideia que certamente será adotada por nossas autoridades e historiadores. Calar-se uma voz pelos desígnios de Deus não basta para implicar o esquecimento dos exemplos marcados por alguém, em favor de comunidades, de pessoas ou sociedade.
Caminharemos 2010 carentes de sua presença física. No entanto, seguiremos leitores de sua sabedoria, atrelados e atentos à sua dignidade e nobreza. Através de sua obra e ideário, teremos com respeito e admiração sua presença sábia a partir deste e dos próximos anos. Adeus Dr. Alfredo Palermo. Nunca se cala um verdadeiro intelectual.
Garcia Netto
Jornalista
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