O tratamento eletrônico e ao mesmo tempo automático da informação é um fato recente. Até bem pouco tempo atrás, o registro de todo conhecimento humano dependia de um esforço tremendo. Escrevia-se à mão, como se fosse um rascunho. Pouca gente dispunha de uma máquina de escrever.
Por isso, a preservação cultural demandava muito trabalho. Para produzir um jornal, uma revista, um livro ou qualquer outro impresso informativo necessitava-se de uma grande equipe e de muito tempo. Tudo começava com o autor, passava pelo revisor gramatical e chegava ao datilógrafo. Voltava ao revisor, para depois seguir um ainda longo caminho até se transformar na versão definitiva a ser apreciada pelos olhos do leitor.
O computador chegou e deu vida à informática (processamento eletrônico e automático da informação). Isso fez com que a agilidade padronizada tomasse conta de toda documentação impressa. Não importa a forma de comunicação, seja um texto, um desenho, uma foto, um som, enfim tudo cabe na internet.
Se isso é bom ou mau, só o tempo dirá. A virtualidade do conhecimento hoje se transformou em uma realidade. Isso pode ainda se tornar perigoso para a história futura. Quem sabe o tempo de duração de uma informação armazenada na internet? Qualquer registro impresso em um papel, embora perdendo parte da qualidade, sempre permaneceu e serviu de depositário cultural.
Já o mundo virtual depende de fatores externos. A começar pela própria realidade dos fatos. Os dados armazenados na internet se aproximam muito da imagem reproduzida pelo espelho.
Quebrado o meio difusor, resta somente o mundo real, que teria difícil difusão por falta de anteparo da luz. Pessoas criativas podem ser comparadas à luminosidade da realidade.
A imagem produzida pelo espelho depende da claridade. Sem a emissão luminosa não se produz a sombra.
Mesmo existindo o espelho, a ausência de luz para focar o real não permite a existência da imagem representativa da realidade. O objeto ou fato não ganha virtualidade sozinho. Por outra perspectiva, ele tem existência própria, independentemente da focalização.
Nos dias de hoje já virou bordão. Quando uma pessoa recebe uma informação qualquer, logo exclama: `Ah, isso tem na internet`. Sim, na internet tem de tudo mas o único problema é que se precisou de alguém para criar antes aquela virtualidade. Em contrapartida, se não houver também quem procure de verdade a virtualidade e dela se aposse de maneira criativa, de nada adianta o fato de se estar na internet. Isso por si só não gera nada.
O que se vê muito por aí é uma enorme diversidade de gente versada em informática. Domina tudo do mundo virtual. A competência para manejar o computador está nas alturas, principalmente a habilidade para com o inglês macarrônico e icônico da internet.
No entanto, o outro lado da informática dificilmente vem à tona. Neste mundo virtual, a `invencionática` anda em baixa. Sem criatividade, a virtualidade fica parada. Acaba `avatalizada`. E, quem se espelha naquilo?
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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