Uma combinação de fatores transforma a Zona Norte, que abrange bairros como Leporace, Portinari, City Petrópolis e Miramontes, na mais problemática da cidade. Com uma população estimada em 63 mil moradores, a região é campeã nos índices de violência escolar, crimes sexuais e pobreza. Especialistas elencam pelo menos dez fatores para explicar a liderança nada agradável. O principal deles é a alta concentração populacional nos 45 bairros que formam a região Norte. “Mais pessoas significa mais problemas”, disse Dalva Deodato, diretora da divisão de proteção social da Secretaria de Ação Social. ]
<b>Ouça abaixo a entrevista de Nelise Luques:</b>
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A falta de policiamento, o elevado consumo de drogas, desemprego, famílias desestruturadas e ausência de áreas de lazer são outras razões apontadas para os problemas. A assistente social Claudete Lana da Silva, coordenadora do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) - Norte, atua naquela região há dez anos. Segundo ela, 70% das famílias atendidas pela entidade são chefiadas por mulheres. “Elas são separadas e têm dupla jornada. Trabalham fora e precisam cuidar dos filhos e da casa. Também possuem famílias numerosas, em média, com cinco, seis filhos. Essa é uma característica particular da região Norte que sempre destacamos nas reuniões com os outros Cras”.
Outra peculiaridade é ser formada basicamente pelos chamados “bairros dormitórios”. Apesar de ser uma das mais populosas, a região é a que concentra o menor número de indústrias e pontos comerciais da cidade, o que obriga os moradores a trabalhar em outros bairros e só retornar para casa no fim da tarde. Somados, são 1.013 indústrias e pontos comerciais naquela área. Para se ter ideia, só de estabelecimentos comerciais, a região Sul possui 1.710, (70% a mais) segundo dados do Cadastro Físico da Prefeitura de 2007. “Os pais passam o dia fora trabalhando e os filhos ficam sozinhos, nas ruas, sem atividade alguma. Como ficam ociosos e têm onde se divertir ou trabalhar, terminam se envolvendo com drogas”, disse a assistente social Claudete.
Antônio Carlos Lima é presidente do Conseg (Conselho Municipal de Segurança) -Norte faz oito anos e tem contato direto com os moradores. Ele afirma que o envolvimento com drogas é acentuado na região. Para ele, a ausência dos pais, que trabalham fora dos bairros, deixa os filhos mais vulneráveis. “Temos conhecimento de menores viciados aos 10, 11 anos. E a droga leva ao furto, roubo e até abuso sexual porque a pessoa se droga e fica mais propenso a cometer os crimes”.
O delegado Pedro Dallaqua, da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) disse que a região é a segunda onde mais são presos traficantes. Só perde para a Sul. Por semana, pelo menos uma pessoa envolvida com a venda de drogas é tirada das ruas de bairros da Zona Norte.
NO TOPO
Nas estatísticas sobre crimes sexuais, a região também é campeã. A cada dez vítimas de abuso sexual ou envolvidas em prostituição atendidas na cidade, seis são moradoras de bairros desta área do município. A estatística é do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), que constatou que das 80 pessoas acompanhadas em 2009, 48 (ou 60%) moram na Zona Norte. “Ainda não sabemos porque a região lidera esse tipo de ocorrência. Para entender melhor, iniciamos um projeto piloto com professores nas escolas para nos aproximarmos da comunidade e montar ações preventivas”, disse a assistente social Maria Inês Coimbra, coordenadora do Creas.
A região Norte também dominou as ocorrências escolares atendidas pela Polícia Militar entre janeiro e dezembro deste ano. Os policiais foram acionados 180 vezes nas escolas da Zona Norte, o que representa mais da metade (52%) de todas as 345 brigas, agressões e ameaças atendidas nas unidades de ensino de Franca.
PRIVAÇÕES
A pobreza é outra mazela enfrentada pelos moradores da ponta Norte de Franca. Dos 9.291 francanos que recebem o benefício do Bolsa Família, 30% residem em bairros daquela área da cidade; o restante está dissolvido pelas regiões Sul (20%), Oeste (18%), Leste (17%) e Central (15%). Isso significa que 2788 mil famílias de lá vivem com no máximo R$ 140 por pessoa ao mês (ou R$ 4,67 por dia).
Na tentativa de prevenir crimes e oferecer assistência para as famílias, profissionais das áreas social e de segurança desenvolvem projetos especiais para a Zona Norte. A ideia é encontrar alternativas para diminuir o índice de criminalidade na região, aumentando a qualidade de vida das pessoas que ali residem. A maior parte das ações envolvem crianças e jovens.
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