Sidnei admite renúncia para assumir secretaria


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<B>O MELHOR E O PIOR</B> - Sidnei Rocha fala à Rádio Difusora e exalta o cumprimento das metas de 2009, critica sua equipe que não finalizou projeto do novo PS e ainda revela que subirá no palanque para apoiar candi
<B>O MELHOR E O PIOR</B> - Sidnei Rocha fala à Rádio Difusora e exalta o cumprimento das metas de 2009, critica sua equipe que não finalizou projeto do novo PS e ainda revela que subirá no palanque para apoiar candi
Ao ser reeleito no ano passado, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) avisou sua equipe que os primeiros quatros anos de governo tinham sido um treino e que o jogo, efetivamente, começaria em 2009. O ano chegou ao fim na última quinta-feira e ele reforça a mesma orientação. Será preciso manter o fôlego para aumentar o ritmo do jogo, que é administrar a cidade. A afirmação foi feita durante entrevista exclusiva ao GCN. Na quarta-feira, 23, o prefeito, acompanhado do inseparável assessor de comunicação, Marcelo Facuri, esteve no estúdio 2 da Rádio Difusora e foi sabatinado pelo jornalista Corrêa Neves Júnior, pelos apresentadores Everton Lima e Leandro Vaz e pelo repórter Edson Arantes. Foram duas horas de entrevista. Fiel ao seu estilo e com uma invejável rapidez de raciocínio, Sidnei não deixou nenhuma pergunta sem resposta. Também não fez cerimônias ao criticar sua equipe pela morosidade em concluir projetos, como foi o caso do novo pronto-socorro. Disse que o ritmo lento do poder público é irritante. “Às vezes eu fico louco, só não tenho um enfarte porque acho que meu coração é de aço”. O prefeito avaliou as chances de vitória de companheiros do PSDB para o governo do Estado e para a presidência da República. Garantiu apoio aos deputados por Franca na próxima campanha. Fez uma ressalva com relação a Graciela Ambrósio e disse que ela, ele não apoiará. Sidnei se emocionou ao ser lembrado de que um fato ocorrido 1987, quando renunciou para assumir a presidência da Vasp deixando a Prefeitura nas mãos do vice Ary Balieiro, poderá se repetir no ano que vem. Dependendo de uma hipotética combinação de fatores, Sidnei poderá se ver diante de uma cruel dúvida novamente: renunciar ou não, se surgir um convite para assumir alguma secretaria de Estado. A entrevista foi ao ar no Jornal da Manhã da Difusora na última quinta-feira, dia 31. Confira os principais trechos. <B>Comércio - Que avaliação o senhor faz do primeiro ano do segundo mandato? Sidnei Rocha</b> - Foi preciso muito trabalho, luta, esforço e dedicação para podermos passar esse ano que foi difícil. Um ano mundialmente complicado, o “tsunami” mundial que o Presidente Lula falou que era uma “marolinha”, foi bem forte, de forma que, como em todas as áreas do Brasil, nós tivemos que trabalhar muito, de forma forte e dura para podermos atravessar o ano sem maiores sobressaltos e fizemos isso. Cumprimos 97%, 98% daquilo que estava programado para ser feito. Estou feliz, satisfeito e renovado para 2010. <b>Comércio - Encerrado o primeiro mandato, quatro anos de trabalho, uma administração bastante forte e centralizada, os resultados financeiros vieram, a aprovação popular disparou, veio o “tsunami” que não é culpa de ninguém especificamente, é um fenômeno global que nos afeta, a arrecadação despenca, os projetos desaceleram. Não dá um certo desânimo? Sidnei Rocha</b> - É, tem momentos em que queremos desanimar, mas aí olhamos e verificamos que isso é temporário. Se eu desanimar agora, coloco a perder tudo o que pode vir de bom pela frente. Eu me motivo muito, acho que é fundamental em qualquer atividade, principalmente em rádio e política. Tenho uma motivação especial porque são coisas que eu gosto de fazer. <b>Comércio - O que anima mais o senhor: a ânsia de deixar uma marca definitiva na história política de Franca ou o desejo de derrotar seus ma iores adversários políticos? Sidnei Rocha</b> - É uma terceira opção. É a satisfação de me sentir útil para mim, em primeiro lugar, e para as pessoas em seguida. Essa é a minha grande motivação. Os outros são recursos que você usa, principalmente, os adversários que se usa para aquecer um pouco o debate e a discussão, mas, na verdade, eu tenho um sistema de automotivação em qualquer coisa que vou fazer. <b>Comércio - O que senhor gostaria de ter feito e que não foi possível, talvez, em função da queda da arrecadação? Aquilo que o senhor gostaria de ter concluído em 2009 e que não deu? Sidnei Rocha</b>- Tivemos duas coisas que precisavam ser feitas e que não foram. Tinham que ser ao menos iniciadas e não foram. É o prédio do novo pronto-socorro que, se estivesse pronto o projeto, dava para começarmos, teríamos o dinheiro para começarmos, mas a Secretaria de Urbanismo não conseguiu fechar o projeto. Outra obra que eu queria ter feito e que acabamos não fazendo foi ali no Galo Branco, aquela obra que deu muita discussão no passado (alargamento do canal), o que foi até bom ter acontecido, porque eu mandei reestudar tudo, mandei pesquisar solo, rocha, os emissários da rede de esgoto da Sabesp. Essa demora foi boa do ponto de vista técnico, porque apareceram vários outros problemas que teremos que atacar, vai gastar muito dinheiro, é uma obra que vai ficar mais cara do que toda aquela polêmica que deu uns dois ou três anos atrás. <b>Comércio - Essa maldição que persegue sucessivos comandantes do Executivo Municipal tem solução? Vemos em São Paulo, por exemplo, a discussão sobre o alargamento da Marginal Tietê, uma obra que despertou a polêmica entre urbanistas que, de repente, passaram a dizer que as marginais são um grande erro urbanístico brasileiro dos últimos 50 anos. Na verdade, os rios foram aprisionados em seus leitos, canalizados, e isso impede que se tenha algum respiro, como existem em Londres e Paris, por exemplo, onde se tem áreas verdes ao lado dos rios. Mas em São Paulo é impensável, não haveria dinheiro suficiente e nenhuma condição para desapropriar as várzeas. Em Franca, também é impensável, não tem solução? Sidnei Rocha</b> - Eu acho de difícil solução, por duas razões básicas. A primeira é pelo que você disse. No passado não se respeitou o fluxo de água e não se respeitou uma distância. Não se previu que as ruas seriam asfaltadas, que os quintais das casas seriam cimentados, enfim, que se teria uma água descendo para os leitos dos córregos e rios muito maior do que eles poderiam suportar. <B>Comércio - Na prática, o que deveria ser feito é implodir as avenidas que cercam os córregos e deixar aquela área gramada? As avenidas que cercam os córregos deveriam ficar mais distantes das margens? Sidnei Rocha</b> - Exato, como fizemos, agora, na região abaixo do Galo Branco. Nós fizemos a continuidade da avenida com o retorno mais embaixo e ali existe uma distância enorme do leito para a rua, significa que pode aumentar a água no futuro, isso é o que deveria ter sido feito no passado. Um dia na Hélio Palermo me perguntaram como ficaria no futuro. Eu respondi que no futuro essa canalização que nós alargamos até o máximo possível, será pequena. Isso é no Brasil inteiro, não tem solução. A segunda parte que quero falar é que as tempestades estão cada dia mais fortes. Há poucos dias fiquei absolutamente chocado com a chuva de granizo que caiu em Restinga. A espessura da camada de gelo que ficou no solo eu nunca havia visto antes. O homem não respeita a natureza e a natureza está respondendo. <b>Comércio - No início do século XIX em Paris, no Governo de Napoleão III, o Barão Haussmann, que foi prefeito da cidade por uns 20 anos, fez um grande projeto urbanístico, abriu 12 avenidas a partir do Arco do Triunfo, desapropriou muita coisa, deu respiro para o Sena, construiu aquelas pontes lindas e preparou a cidade para séculos. Claro que para isso foi preciso um dinheiro imenso da Coroa Francesa, um governo ditatorial, mas houve uma certa vontade política e a França, sob Napoleão III, avançou muito. Nós no Brasil estamos condenados a, independente de presidente e partido político, ficar nesse quebra, reconstrói, alarga e puxa, não teremos uma solução? Será possível projetar um futuro mais tranquilo para as nossas cidades? Estamos condenados à alargar, quebrar e refazer? Sidnei Rocha</b> - Acho que sim. Porque os governos liberam para nós só uma parte do que precisamos e pedimos. Como os problemas no Brasil são enormes, quando você pede as verbas, eles decidem não pelo que você precisa e, sim, pelo quanto vão te dar. Depois te chamam e dizem: “Vocês pediram R$10 milhões para aquela obra, com R$ 3 milhões resolve seu caso?”. Ou seja, temos que arrumar os outros R$ 7 milhões. É assim em todos os governos. <B>Comércio - O senhor ficou decepcionado com a soma das riquezas de Franca? O ranking divulgado no começo do mês mostrou que o PIB da cidade em 2007 foi de R$ 3,7 bilhões. Sidnei Rocha</b> - Fiquei sim, achei pouco. Eu já dizia que Franca é uma cidade pobre, porque é uma cidade operária, a grande maioria das cidades operárias são pobres, com exceção das que fabricam automóveis. O manufaturado é uma indústria frágil. Tivemos uma queda brutal de exportação, tivemos uma queda no mercado interno, que começou a reagir no último trimestre. A cidade já é pobre, tem uma indústria sensível. Não poderíamos ter outro resultado. Decepcionante, sim, mas dentro da nossa realidade. <B>Comércio - Em todas interpretações que podemos fazer a partir do ranking do PIB, vemos cidades bem menores, como Araçatuba, por exemplo, que está com situação parecida à de nossa cidade, ou melhor em alguns casos. Mas muitas cidades paulistas cresceram em relação ao PIB. Campinas, Jundiaí e até Ribeirão Preto estão em uma boa situação. Aqui nem linha aérea para São Paulo temos. Não é frustrante saber que tanto se trabalha, tanto se luta e a geração de riquezas do município é incipiente? Ou o senhor acredita que é a característica de uma cidade operária e contra a qual não adianta lutar? Sidnei Rocha</b> - É frustrante, mas ao mesmo tempo motivante (...). Iniciei fortes ações para incentivar o empresariado. Nós já temos uma indústria instalada. Costumo dizer que é melhor cuidarmos do que já temos do que buscar e sonhar com coisas que não virão provavelmente. Eu escuto muito da imprensa e das pessoas da ruas que eu preciso buscar indústrias, como se fosse muito simples. Não é assim. As empresas escolhem onde montarão suas sedes de acordo com suas estratégias, pelas estradas, pelas escolas e por uma série de razões. Já temos uma indústria instalada, já somos industriais há 80 anos, coisa que algumas cidades colocam placas nas estradas, por exemplo Ribeirão Preto e Limeira. Isso não adianta. Temos que primeiro fortalecer nosso parque industrial para depois sonharmos. Por isso, comecei a implantar ações para incentivar nossos empresários.Temos campo para o sapato francano crescer. <B>Comércio - O senhor acha que, historicamente, essa questão do escoamento (da produção) nos prejudicou e segue prejudicando? Quando havia companhia de trem, Franca virou ramal, aqui não era parte da ferrovia principal que ligou todas essas cidades paulistas importantes. Depois, com a Rodovia Anhanguera, tivemos um azar semelhante. Ela não veio para cá, estamos em um anexo que é a Rodovia Cândido Portinari. Agora, com todas as discussões sobre o trem bala, diz-se que ele vai para qualquer cidade, mas não se fala que ele venha para Franca nem em uma ligação com Minas e com o Centro-Oeste. Essa questão geográfica atrapalha ou o senhor acha que não é relevante? Sidnei Rocha</b> - Ela atrapalha um pouco, mas não é tudo. Do ponto de vista de progresso isso é discutível, veja por exemplo, Bauru que é um ponto ferroviário, com posicionamento geográfico fantástico, só que não sai do lugar. Nós estamos alcançado Bauru. Presidente Prudente tem 120 mil habitantes e não consegue nunca sair disso. Ribeirão Preto não tem tanta indústria, mas tem um parque universitário fantástico e um setor de serviços muito forte, o que gera altos salários. Por isto, não dá para comparar Franca com Ribeirão Preto, são universos diferentes. Dá para comparar Franca com Uberaba. Eu acho que nós, aqui, pegamos as estatísticas que são reais e mostramos tudo sempre para trás. Somos uma cidade operária pobre, mas temos algumas vantagens que as outras cidades não têm. Nós batemos muito nas desvantagens e esquecemos de ver as vantagens. Então, ao invés de eu ficar lamentando, eu penso em melhorar o que temos, nossa indústria vale sim. <b>Comércio - O senhor acha mais fácil avançar no sapato do que buscar uma coisa nova? Sidnei Rocha</b> - Óbvio, até porque todo mundo está atrás de coisa nova e são poucos os que têm. Principalmente em um ano como esse, que não cresceu, o PIB do Brasil ficará abaixo de zero. Ficaremos negativos, não produzimos riquezas. <B>Comércio - Pesquisa do Instituto Datalink, publicada pelo Comércio da Franca em novembro, apontou que o senhor tem 94% de aprovação popular, índice altíssimo, mas o senhor não pode se candidatar novamente. Já foram cogitados alguns nomes como o de Valéria Marson, secretária de Urbanismo; Alexandre Ferreira, secretário de Saúde; Jerônimo Sérgio Pinto, secretário de Administração, e me arrisco a dizer Sebastião Ananias, secretário de Finanças. Como está sua sucessão? Sidnei Rocha</b>- Ganhei do Lula (em aprovação popular) e sem nordeste. Em primeiro lugar, estou lutando pelo terceiro mandato, não sei se o Lula está (risos). Eu tenho minha Dilma, meu José Serra e meu Ciro Gomes. Na verdade eu brinquei com isso, mas é muito cedo para falar nisso, eu já falei publicamente e eles sabem disso, mas todos podem ser candidatos.

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