Este sim, será `o` ano!


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Calendário novo, bonito, colorido, completo. Geralmente substitui o antigo nos últimos dias de dezembro, quando o ano velho ainda nem terminou. Num cerimonial discreto é pendurado com reverência e respeito no mesmo velho prego velho, atrás da porta. Nesse momento é tratado como se fosse uma caixa de segredos e, convenhamos, ele é: ali está condensada a prospecção de trezentos e sessenta e cinco dias, agrupados em meses e semanas. Na cerimônia de troca, várias perguntas são formuladas no pensamento: seremos felizes durante todos eles? Manteremos a saúde? Perderemos alguém próximo? Alguém virá para aumentar a família? Conheceremos gente nova? Brigaremos com quem? Faremos as pazes com quem se desentendeu conosco? Conseguiremos viabilizar projetos antigos? E nossos sonhos? Planos? E nossa esperança? E nossas angústias? E nossos amigos? Calendários deviam vir com bolas de cristal... Ávido por ritos e obcecado pelo mistério do tempo o homem vem, há muito, inventando formas de desvendá-lo, descobri-lo, entendê-lo, medi-lo. Num determinado momento, nem imagino quando, percebeu que `nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia`... e foi inventar uma maneira de medir a distância entre as duas manifestações. Criou muitos aparelhos. Com engenhosidade fez a ampulheta, construiu o quadrante solar, a clepsidra. Maias, astecas, zapotecas, construíram os seus. Os druídas - supõe-se - fizeram Stonehenge para precisar solstícios, equinócios, então falaram em periélios e afélios, e os ingleses - sempre eles - não deixaram por menos e pedra sobre pedra erigiram Greenwich, para organizar o horário mundial. Tudo chuva no molhado, para fazer difícil o que os sentidos percebem fácil: o tempo passa. A verdade, simples, é que a Terra vai começar uma nova volta ao redor do Sol. Mais uma e, como das outras vezes, demorará trezentos e sessenta e cinco dias para completá-la. Por irmos juntos com o planeta, ganharemos, de presente, um ano inteiro, sadio, sem vícios, sem máculas, sem defeitos, para a gente começar com o pé direito, crente que tudo vai se realizar segundo nosso desejo, no ano que vai nascer... pulando ou não as sete ondas, comendo lentilha, mordendo as sementes de romã, vestindo branco, usando calcinhas vermelhas. Iremos juntos ideando, sonhando com muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender. Imaginando que, agora sim, finalizaremos todos os antigos projetos especiais, aqueles - abandonados em fase embrionária ou levemente iniciados; renunciados pelas metades ou quase conclusos - guardados em pé de igualdade na gaveta do `deixa aí, uma hora eu termino` que se mostra, nestes últimos dias do ano, abarrotada e cheia, cheia até nas tampas... Qual o motivo de serem `especiais`? Simples. Mesmo apertados, não realizados, mofados, quase abandonados, eles se mostram ansiosos por uma oportunidade de ver a luz brilhar: sonhos renitentes, permanentes, não morrem, muito menos dormem. Ficam ali, espremidos, cutucando-nos, mesmo que, ano após ano, a gente os aperte ainda mais, superpondo novos projetos, novos sonhos, novas esperanças... Típica atitude de humanos, que a gente sabe, não aprendem fácil... Também fazem parte do final de ano, as tais listas de intenções - de essência diferente dos sonhos - para entrar em vigor logo no primeiro dia do ano. Geralmente começada por `Esse ano eu vou...` vai sendo completada por propósitos, desejos e deliberações. A minha, pura demonstração de falta de criatividade, é praticamente a mesma há anos, mas nesse 2010, eu juro: serei assídua na ginástica; só responderei o que me perguntarem; calarei minha boca; viajarei mais com minha família; iniciarei um projeto social. Vou: ler mais; ouvir mais música, tirar alguns minutos do meu tempo para cuidar do jardim; visitar pessoas que gosto; escrever com frequência para meus amigos; tomar coragem e eliminar tudo aquilo que não uso mais; terminar os álbuns de fotografias; organizar meu tempo para fazê-lo sobrar. A lista, de execução simples, vem se repetindo há anos, quase sem mudanças. O que renovo, coisa supreendente, é a facilidade de arranjar desculpas para não fazer (quase) nada disso. Porém, quando recomeço, recomeço para valer, incentivando e me auto-estimulando. Antes dos fogos espoucarem, pensarei alto: `Vai, mulher! Vai com coragem que este será, com toda certeza, o ano mais feliz da sua vida!`... <b>INÍCIO</b> A comemoração ocidental tem origem num decreto do governador romano Júlio César, que fixou o 1º de janeiro como o Dia do Ano-Novo, em 46 a.C. Os romanos dedicavam esse dia a Jano, o deus dos portões. O mês de Janeiro, deriva do nome do deus Jano, que tinha duas faces: uma voltada para frente e a outra para trás: perscrutava o futuro, literalmente de olho no passado. <b>CALENDÁRIO CHINÊS</b> É o mais antigo registro cronológico que se tem notícia na história. É um calendário lunissolar: utiliza-se tanto do Sol, quanto da Lua. Cada ano possui doze lunações que perfazem um total de 354 dias. Para não perder a sincronia com o ciclo solar - de 365,25 dias - a cada oito anos são acrescentados noventa dias ao calendário (duas lunações, portanto). Ele não tem uma data inicial - como o calendário ocidental - e se repete em ciclos: o menor de 12 anos; o maior de 60 anos. O Ano Novo Chinês começa sempre em uma Lua Nova, entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro. Em 2010, começará dia 23 de fevereiro. <b>PONTO FINAL</b> Feliz Ano Novo! Que seus dias sejam todos alegres e que você seja feliz em todos eles, desfrutando-os com muita saúde e paz. <b>Lúcia Helena Maniglia Brigagão</b> <i>Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras</i> luciahelena@comerciodafranca.com.br

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