Animais ajudam na luta contra depressão


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<b>PRONTOS PARA AJUDAR</b> - Em seu consultório, a psicóloga Lilian Jacintho Mendonça segura a chinchila Mel, ao lado do cachorro Floquinho. Os animais, que são dela, ajudam nas sessões de terapia com seus pa
<b>PRONTOS PARA AJUDAR</b> - Em seu consultório, a psicóloga Lilian Jacintho Mendonça segura a chinchila Mel, ao lado do cachorro Floquinho. Os animais, que são dela, ajudam nas sessões de terapia com seus pa
O tratamento de depressão, síndrome do pânico, problemas neurológicos e físicos ganhou novos aliados. Os animais deixaram o ambiente doméstico para “trabalhar”. Ao lado de psicólogos, fisioterapeutas, professores, fonoaudiólogos e outros profissionais, cães, cavalos e até chinchila assumiram o papel de auxiliar o atendimento aos pacientes. A chamada terapia assistida por animais começou a ser difundida no Brasil há cerca de 30 anos. Em Franca, profissionais já testam - e aprovam - a experiência. Os bichos ganharam espaço nos consultórios de psicologia, asilos, escolas e entidades que atendem pessoas com paralisia cerebral ou sofrem de deficiência mental. O start para a psicóloga Lilian Jacintho Mendonça, 30, introduzir seus próprios bichos de estimação nas consultas a crianças e adolescentes foi de repente. Lilian costumava levar seu cachorro Milk, um poodle toy, para passear no consultório e percebeu que as crianças ficavam empolgadas e mais desinibidas com o animal. Depois de ler matéria a respeito da presença deles em sessões de terapias, decidiu investir na ideia. Milk foi o primeiro a participar dos atendimentos, mas está com 7 anos e se aposentou. No início deste ano, Lilian comprou um cachorro da raça bichon frisé, o Floquinho, de 1 ano, para auxiliá-la nas sessões. Também conta com apoio de sua chinchila, a Mel, para os atendimentos. Em breve novos “profissionais” acompanharão o trabalho da psicóloga. Mel está grávida e os filhotes serão usados no atendimento. Lilian também comprou uma calopsita para este trabalho. Segundo Lilian, os animais são agentes facilitadores da comunicação e tornam o ambiente menos ameaçador. “Sinto que eles quebram o gelo porque são espontâneos, não julgam a gente. Com adultos, a gente fica cheio de restrições”, disse ela. Nem todos aceitam a presença dos bichos. Quinze pacientes de Lilian fazem terapia com os animais, metade de sua lista de “clientes”. São crianças e adolescentes com problemas de aprendizagem, ansiosas, com sintomas de pânico ou que sofreram perdas, como morte familiares e separação dos pais. Durante as sessões, eles brincam com o cachorro ou seguram a chinchila no colo. “O cão ajuda a abrir espaço para que a criança que foi abusada sexualmente ou sofreu outros traumas consiga desenvolver a confiança que perdeu nas pessoas”. Lilian fez um curso neste ano na USP de Pirassununga sobre o potencial dos animais no trabalho terapêutico. A professora Maria de Fátima Martins desenvolve naquela cidade o projeto “Doutor escargot nas escolas” e utiliza estes bichinhos para ajudar na desinibição e aumentar a interação de crianças autistas ou com síndrome de down com os outros alunos. Em Franca, o adestrador Adoniran Thomaz desenvolve um trabalho com cachorros (cão terapia) há dez anos. Cavalos também são parceiros no atendimento a diversas patologias. Joabe Felipe, 11, descobriu os benefícios da equoterapia há dois anos. Durante tratamento contra um tumor, sofreu parada cardiorespiratoria que provocou falta de oxigênio no cérebro e deixou sequelas. Joabe perdeu os movimentos das pernas e braços e teve a fala afetada. A prática de atividades com cavalos tem ajudado na recuperação. “Meu filho não tinha controle do corpo e era muito disperso. Hoje anda sozinho em cima do cavalo, tem melhor coordenação e a atenção dele na escola melhorou muito, além da fala. Estamos muito felizes”, disse a pespontadeira Ivany Salema, 32, mãe do garoto (leia mais nos apoios).

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