Previsões e desejos 2010


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Não precisa ser vidente em certas previsões para o ano que começa. Inúmeras pessoas morrerão, nas estradas em cada feriadão, nas tragédias do dia a dia, provocadas pelo homem que ofende ou pela natureza que se defende; muitos perecerão na melancolia, na madrugada fria, sem amigos, sem família e de barriga vazia; a morte colherá até mesmo quem, buscando a beleza, der `azar` nas mãos inábeis de alguém que se diz cirurgião. Na política, a grana ilícita sendo recebida e enfiada nos bolsos, nas meias e em outros vãos, revelará mais e mais corrupção, mesmo que o presidente, precisando de aliados para eleger seu sucessor, diga que a imagem, por si só, não tem valor. É como dizer ao marido que flagra a mulher com o amante na cama: `não é o que você está pensando, hein?`. Na ética `underground`, o segredo é negar, negar sempre. A dinheirama do contribuinte que o Planalto vai despejar em 2010, com propaganda sobre as obras do PAC, vai inundar os canais de TV, com a tentativa de transformar a guerrilheira/companheira Dilma em uma mulher simpática, além de outras coisas próprias de ano eleitoral, não é nada disso que você está pensando, viu? Para colher é preciso plantar, e em 2009 aprendi que Arruda, em política, nada tem a ver com a plantinha que se usa para proteger do azar. Quando eu entregava pão mas madrugadas dos anos 70 vi um grupo de jovens, ébrios, indo embora após um baile de carnaval, abraçados e cantando algo mais ou menos assim: `Brasil vai lançar foguete / Cuba também vai lançar / Brasil vai lançar primeiro / Quero ver Cuba lançar`. Se você não entendeu a graça da coisa, cante e descobrirá. Menciono porque me lembrei do nosso presidente. Livro e filme sobre ele já estão aí. Idolatria pura, lógico. É o deus na Terra. Com `aqueles` patrocinadores, queria o quê? Do jeito que a coisa vai, logo haverá estátuas e imagens dele por todos os cantos. Acabou a União Soviética, caiu o Muro de Berlim, mas Cuba permanece. Se bobear, o Brasil vira uma versão `sofisticada` da ilha de Fidel. Bóris Casoy e Arnaldo Jabor já sentiram o gostinho amargo. O ano, bem ou mal, vai passar, como sempre passa. No fim dele saberemos de coisas que hoje tentamos adivinhar: quem conquistou a Copa do Mundo e o Brasileirão, quem levou o Oscar, quem ganhou a eleição etc., e espero que tenha sido quem mereceu. Cada um de nós tem desejos e aspirações para tentar realizar ao longo do ano e o resultado, bom ou mau, virá no final. Eu, particularmente, desejo primeiro e acima de tudo estar vivo, pois, como sempre digo, não tenho medo de morrer, mas também não tenho pressa. O mundo e os mistérios `post mortem` podem esperar. Gostaria de sentir que fiz bem tudo de que fui incumbido, embora a cada ano vivido ache mais difícil, em sã consciência, dizer que tenho a sensação do dever cumprido. Se a perfeição existe, não está comigo; diminuir um pouco a enorme distância que me separa dela é o máximo que consigo. Mas desejo, enfim, estar intimamente bem por ter sido uma pessoa um pouco melhor, por ter ficado do lado de quem precisou de mim. E que esteja preso ao presente, ocupado em viver, em trabalhar, em traçar planos, projetos e afins, o suficiente para não ter tempo de remoer o passado nem lembrar coisas ruins. Feliz 2010 a todos! Paulo Pereira da Costa Promotor de Justiça e autor do livro Pensando na Vida – paulopereiracosta@uol.com.br

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