Um apaixonado pela vida e pelo ser humano


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<b>UM JOVEM DIFERENTE</b> - Fernando Antônio Costa, o Fernandinho, reza diante de imagem de Nossa Senhora antes de revelar como foi o início do Cenáculo e detalhes de sua dedicação a Deus
<b>UM JOVEM DIFERENTE</b> - Fernando Antônio Costa, o Fernandinho, reza diante de imagem de Nossa Senhora antes de revelar como foi o início do Cenáculo e detalhes de sua dedicação a Deus
<p style="text-align: justify; ">Ele se diz um apaixonado pela vida. Quando criança, brincava de missa e, já adolescente, não tirava do pescoço um enorme crucifixo. Pelos corredores da escola pública em que estudou, a Torquato Caleiro, não era raro ser chamado de padre e beato. Hoje, aos 23 anos, Fernando Antônio Costa, mais conhecido como Fernandinho do Cenáculo, é o novo ícone do catolicismo em Franca. Todas as terças-feiras, ele atrai mais de duas mil pessoas para cantar, rezar e agradecer a Deus no Cenáculo Imaculado Coração de Maria. O evento é semelhante a um grupo de oração e completará dez anos de existência no dia 12 de janeiro do ano que se aproxima. </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Comunicativo, Fernandinho parece ter o dom das palavras para falar direto aos corações dos jovens que o acompanham. Quando abordado nas ruas, muitas pessoas chegam a se emocionar e pedir de fotos a autógrafos. Na semana que antecedeu o Natal, Fernando recebeu a reportagem do Comércio na casa sede do Cenáculo, no Cidade Nova. Lembrou de como surgiu sua vocação, falou de suas limitações, do nascimento do Cenáculo e de seus planos para a comunidade que tem hoje uma equipe de quase cem pessoas (servos).</div><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Fernandinho é solteiro, professor de religião no Colégio Jesus Maria e José (o Coleginho), apresentador de TV, conselheiro espiritual e estudante de filosofia (ele faz o curso à distância na Claretianas de Batatais). Diz sentir enorme alegria quando encontra jovens, senhoras e até crianças com a camiseta do Cenáculo, além de centenas de carros com o adesivo símbolo do movimento. “Fico feliz por saber que ali tem uma pessoa que luta pelo céu. Alguém que decide por ser de Deus e ponto. O Cenáculo não é simplesmente algo que fazemos. É um jeito de ser”.</div><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Filho de pai sapateiro e mãe dona de casa, Fernandinho tem apenas uma irmã. Antes de fundar o Cenáculo, trabalhou como vendedor de sapatos de porta em porta e ajudou o pai, quando desempregado, a sustentar a casa. “Sempre vivi na simplicidade. Meu desejo para essa época de festas é que todos se voltem para Jesus, procurem vivenciar a paz e ser mais humilde. Cristo nasce todas as vezes que você dá esperança para alguém, mas também quando você devolve a esperança para você mesmo. Aí, você é capaz de ser feliz”.</div><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Apesar de o Natal ter acontecido há dois dias, a mensagem de Fernando diz que ainda é tempo de se voltar para Jesus e deixar Ele nascer dentro de cada um. “Infelizmente vemos todo mundo em volta do Papai Noel, mas quando vem um câncer na família, ninguém acende uma vela para Papai Noel curar. Quando o filho está drogado, não vemos nenhuma mãe ajoelhada diante do Papai Noel. Então, que as pessoas não deixem o Natal perder o sentido, o Natal é Cristo. A única função do Natal é celebrarmos a vinda de Cristo entre nós”.  </div><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio da Franca -Quem é Fernando Antônio Costa, mais conhecido como Fernadinho?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernando Antônio Costa -</strong> Engraçado, hoje (a entrevista foi feita na semana que antecedeu o Natal) estava pensando nisso. Se fosse definir as pessoas em uma só palavra, como eu me definiria. Acho que me defino como um apaixonado pela vida e pelo ser humano. Vim de uma família humilde. Meu pai trabalha em uma fábrica e minha mãe é dona de casa. Tenho uma irmã solteira e, desde pequeno, tive o desejo de servir ao próximo. Se você me perguntar de onde nasceu isso, não sei explicar. Parece que Deus colocou isso em minha vida.</span></div></strong><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Quando você começou a frequentar a igreja e descobriu sua vocação?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernandinho -</strong> Sempre fui com minha mãe às missas de domingo. Todo final de semana, era sagrado. Quando comecei a catequese e depois também a crisma, sentia que precisava fazer algo mais, precisava ir além. Acho que o chamado começou justamente no momento em que comecei a perceber que precisava fazer alguma coisa pelo próximo. Não podia ver o sofrimento dos outros e ficar parado. Vi que tinha de ajudar alguém e a forma era justamente levar Deus, que me ajudou um dia. Descobri Deus muito novo, aliás, acho que foi Ele que me descobriu primeiro. Com dez anos, já rezava na casas das outras pessoas. Com 12 anos, fazia pregação. Percebi que Deus era muito mais do que alguém lá em cima no céu e eu aqui em-baixo. Ele estava presente comigo. Então, a partir dos sofrimentos que toda família tem - e a minha não é diferente -, fui encontrando em Deus esse auxílio, essa força. Não como uma válvula de escape, mas uma força que me ajudou a superar os problemas.</span></div></strong><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Você não teve uma adolescência de baladas e namoricos?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernandinho -</strong> Isso nunca me conquistou. Sempre fui muito sozinho e aprendi a gostar de ficar sozinho. Meu amigo era Jesus, vamos dizer assim. Pode parecer estranho ou coisa absurda, mas não é. Sempre gostei disso. A partir do momento que comecei a seguir Deus de perto, a trabalhar para a Igreja, percebi também que a minha juventude precisava ser consumida. Na escola era engraçado. Os outros sempre me chamavam de padre. A toda hora, por onde passava, eles falavam: lá vai o padre. Sempre gostei de usar crucifixos e dos grandes. No começo, tinha muito problema, muito mesmo, os meninos ficavam caçoando, mas depois eles foram se acostumando e foi muito interessante. Estudava no EETC - aliás sempre estudei em escola pública - e lá dentro resolvi, junto com uma turma, fundar um grupo de oração chamado GOT (Grupo de Oração Torquato). Toda terça-feira, nós íamos para o salão da escola fazer aqueles momentos de oração. Graças a Deus, todos que caçoaram de mim antes, no terceiro colegial estavam rezando comigo.</span></div></strong><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Comércio - Foi a partir desse grupo escolar que você começou a fazer pregações?</strong></span></div><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernandinho -</strong> Sim, eu conduzia o GOT junto com outras quatro pessoas. Tinha também uma inspetora que começou com a gente. Aprendi muito nesse período de escola. Acho bonita essa trajetória, pois o carisma do Cenáculo é justamente você viver Deus no seu cotidiano. Não à parte. Cada um tem sua vocação é lógico, mas vivemos Deus no nosso dia-a-dia. Mas antes de fundar o Cenáculo aos 14 anos, tive que trabalhar como vendedor. Meu pai estava desempregado e eu vendia sapato na rua para ajudar em casa. Tinha de ajudar. Precisava fazer alguma coisa. Com 12 anos, rezava à noite e, durante o dia, pegava os sapatos que meu pai fazia no fundo de casa e vendia de porta em porta. </span></div></strong><div style="text-align: justify; ">Depois que passei a adolescência, nunca tive esse chamado para namoro, sempre achei bonito o celibato, viver em uma consagração celibatária. Sempre me dediquei a esse estilo de vida, por isso não busquei namorada. Quis me dedicar somente a Deus. Quando você casa, você jura amor a uma pessoa. Já o celibatário, quando é consagrado, jura amor a todos. O amor tem que ser para todos, indistintamente.</div><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Comércio - Como foi para sua família essa fase?</strong></span></div><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernandinho -</strong> Quando era pequeno, brinquei muito de missa dentro do quarto. Minha família, graças a Deus, sempre me apoiou, mas no começo todo pai e toda mãe fica preocupado. Quando o filho começa a rezar um pouco a mais do que o normal, eles acham que ele vai ficar doido. Vai virar “beatão”. No princípio todo mundo me olhava com mais cuidado, mas depois foram vendo que aquilo realmente era uma decisão. A princípio, penso que por causa da idade. Eles pensavam que era uma fase, mas não foi. Eu tinha decidido e não se pode resumir isso em uma fase.</span></div></strong><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Comércio - Passado todo esse período de descoberta, hoje como é a vida, a rotina do Fernandinho?</strong></span></div><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernandinho -</strong> Sou professor de ensino religioso no Colégio Jesus Maria José e toda semana (às terças e quintas-feiras) também tenho aulas aqui na Casa Cenáculo e um programa de TV. Em parte, a minha vida são os momentos de oração, que tenho de ter como pessoa consagrada. Meu alimento para continuar de pé é a oração. Além disso, tenho também as reuniões, as coordenações, direções e gerenciamento. Minha vida se passa aqui na Casa Cenáculo e dentro de casa com minha família. Divido essa rotina de oração com atendimento, visita a hospitais e casas de doentes.</span></div></strong><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Comércio - Quando foi que surgiu em você essa vontade de ter uma comunidade religiosa e fazer todas essas atividades?</strong></span></div><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernandinho -</strong> É interessante, a gente pensa uma coisa e Deus pensa outra. De fato, nunca pensei em uma comunidade, nunca sonhei em fundar uma. Comecei o Cenáculo com um grupo, com quatro pessoas rezando no fundo de casa. E depois Deus foi mandando gente. E foi crescendo. Por fim, estávamos vivendo tão unidos e tão juntos, em um só coração, em uma só intenção. Percebemos que Deus de fato queria uma comunidade, com regras, com estatuto e com formas de vida que realmente alicerçassem essa obra. Foi a partir desse desejo que nasceu a comunidade Cenáculo, mas não estava nada previsto. Penso que tudo o que acontece no Cenáculo hoje, é obra de Deus. É ele quem faz a obra, nós só escutamos.</span></div></strong><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Comércio - E como aquele grupo se transformou no Cenáculo de hoje?</strong></span></div><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernandinho -</strong> Éramos eu e mais três pessoas, parentes, primos e tias. Começamos a rezar e, com o tempo, um convidava o outro e o povo de fora começou participar. Com mais gente, mudei para a casa onde eu moro. Rezávamos na garagem, porque não tinha outro lugar. Só que a garagem ficou pequena, o povo começou a ficar na rua, atrapalhava o trânsito. Mais uma vez, achamos melhor mudar e o padre da Igreja Santo Antônio nos acolheu. Ficamos uns meses na Igreja Santo Antônio e o bispo nos transferiu para a Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Avenida Major Nicácio. De novo, o espaço ficou pequeno. Não tinha como permanecer no local, por isso fomos transferidos para o ginásio onde estamos hoje.</span></div></strong><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Comércio - Foi no salão da Igreja Nossa Senhora das Graças que aconteceu o “boom” do Cenáculo?</strong></span></div><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernandinho -</strong> Isso. na Nossa Senhora da Graças o Cenáculo ficou mais público. Na Igreja Santo Antônio, ainda era restrito. Penso que toda essa grande freqüência é sede de Deus. O povo precisa voltar para Deus. A criatura precisa voltar para o criador, sem isso não temos sentido. Acho que tudo isso aconteceu, esse estouro, por causa da vontade do povo de se encontrar com Deus. O carisma, a espiritualidade da comunidade ajuda nessa evangelização. A linguagem das pregações, por ser mais atual, por sempre trazer o evangelho para o hoje, para o agora, para a necessidade do povo. Essa característica trouxe as pessoas para perto. Nós tratamos de temas da atualidade. Na terça-feira, alguma coisa sai daquela realidade que mostra a visão cristã e principalmente da igreja. É bom ficar claro que a comunidade Cenáculo é católica. A doutrina que rege essa comunidade é a moral católica.</span></div></strong><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Comércio - Por falar em Cenáculo, como foi escolhido o nome e o dia (terça-feira)?</strong></span></div><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernandinho -</strong> O nome Cenáculo significa sala de cima, piso superior. A sala do Cenáculo é o lugar onde Cristo celebrou a última ceia com seus apóstolos e também o lugar onde os discípulos ficaram escondidos quando foram perseguidos depois da ressurreição de Cristo. Nessa sala, também aconteceu o Pentecostes, a vinda do Espírito Santo, o nascimento da igreja. Entendemos que dentro dessa caminhada o nome Cenáculo é muito significativo. Se você for olhar a última ceia e também o Pentecostes, ali estavam apenas os íntimos, aqueles que eram muito próximos a Jesus. Esta é a nossa missão. Levar as pessoas a ter uma intimidade com Jesus. É levá-las a conversar com Deus. A oração é uma conversa, onde eu falo e escuto Jesus. O Cenáculo define a busca pela intimidade com Deus. E acontece às terças-feiras justamente porque está no meio da semana. É uma forma de ajudar uma pessoa que talvez viveu um final de semana difícil ou abastecê-la para enfrentar algo difícil que ainda vai acontecer durante a semana.</span></div></strong><p> </p> <p> </p><div style="text-align: justify; "><br /></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Comércio - Reunir mais de duas mil pessoas às terças-feiras para rezar e trabalhar em prol da construção de um centro de evangelização. Esse era o seu sonho?</strong></span></div><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Fernandinho -</strong> Era e ainda é. São Francisco de Assis quando estava no chão, morrendo, olhava para seus irmãos de comunidade e dizia “rezemos, pouco ou nada nós fizemos até agora”. E ele já tinha milhares de franciscanos. Cada dia é dia de vermos que não fizemos nada ainda. Se hoje temos vários testemunhos de transformação, precisamos ter muitos, muitos mais. </span></div></strong><div style="text-align: justify; ">A minha intenção não é apenas ter um ginásio cheio de pessoas, porque muitas podem ir lá rezar e não viver nada do que rezaram. Minha intenção é ter um ginásio cheio de pessoas que realmente querem Deus e querem viver para Ele. Querem mostrar para o mundo que ser de Deus é bom demais. Nossa intenção é continuar e seguir adiante.</div><p> </p>

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