Perdoar sempre


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Tenho um grande e especial amigo que completou no último dia 16 de dezembro 81 anos de existência terrena. O nome dele é Manir Latuf, pessoa bastante conhecida e querida em Franca e que mesmo contando 81 primaveras, ainda conserva a jovialidade e o interesse pela vida que são próprios de um moço de 25 anos. Por ocasião do seu último aniversário, perguntei a ele qual a lição de vida que ele poderia nos legar em data tão importante para ele e para todos os seus familiares e amigos. Do alto de sua sabedoria octogenária afirmou categórico e sem pestanejar: ‘aprender a perdoar’. Meditei sobre a lição recebida do amigo e concluí que ele está absolutamente certo. O perdão talvez seja o ato que mais nos aproxima de Deus e está, seguramente, entre as condutas humanas que mais agradam o Criador. A expressão popular: ‘Errar é humano, perdoar é divino’, conserva em seu íntimo verdades insofismáveis. Jesus, o aniversariante de amanhã, ao atualizar a Lei, recomendou com veemência que devemos, antes de tudo, reconciliar com os nossos inimigos. Penso, porém, que não basta reconciliação meramente formal e de fachada. É fundamental o perdão íntimo, sincero, verdadeiro, amplo, total, irrestrito e incondicional, que sepulte as diferenças e as desavenças definitivamente. Reconheço que nem sempre é fácil. O perdão sincero, no entanto, traz para aquele que perdoa, na feliz expressão de Kardec, ‘paz e tranqüilidade’. O perdão é um bálsamo que cicatriza as feridas e que coloca em destaque a nossa natureza divina. Ao perdoar, deixamos a condição de meros humanos para assumirmos atributos próprios da divindade. O perdão também liberta, pacifica a consciência e semeia o entendimento, gerando paz de espírito. Diz o Apóstolo Paulo: ‘Aquilo que o homem semear, isso também ceifará’ (Gálatas 6:7), ou seja, a semeadura é livre, a colheita obrigatória. O perdão é o mesmo que plantar em terreno fértil, a boa semente. Portanto, aproveite o Natal e dê ao aniversariante o presente que ele espera de nós, ou seja, o exercício permanente do perdão. Feliz Natal. Setímio Salerno Miguel Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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