Duas mulheres - mãe e filha - e um mesmo destino: serem brutalmente assassinadas por seus companheiros, homens mais velhos, ciumentos e inconformados com a separação. As mortes aconteceram em um intervalo de 20 anos, uma em 1989 e a outra em 2009. Tragédias marcadas por uma série de coincidências.
Fabiana Santini da Silva, 35, foi morta com uma facada no peito desferida pelo companheiro, o barbeiro Antônio Alves Rodrigues de Souza, 60, na última sexta-feira, dia 18. A mãe dela, Lúcia Helena Cruz Santini, 34, foi morta com três tiros disparados pelo companheiro, o juiz de futebol Waldemar Galvão Ribeiro, 51, no dia 18 de abril de 1989.
Logo após a morte de Fabiana, na última quinta-feira, a lembrança do assassinato da mãe da vítima veio à tona na Vila São Sebastião, bairro onde o casal morava. Pelo menos três pessoas ligaram para o Comércio para comentar a série de características similares que envolviam as duas mortes. “A bem dizer, as duas foram mortas de forma idêntica”, disse uma tia de Fabiana.
Entre as coincidências, estão as datas em que os crimes foram cometidos, dia 18 (uma em abril e outra em dezembro); o motivo, ciúmes e separação; a idade das vítimas, 34 e 35; a diferença de mais de 15 anos entre elas e os companheiros; as duas ainda tinham a mesma profissão, sapateiras, e o mesmo número de filhos, três.
<p style="text-align: center;"><a target="_blank" href="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/12/reproducao-assasinato-jornal-mae-e-filha.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3153" title="arte/comércio da franca" src="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/12/reproducao-assasinato-jornal-mae-e-filha.jpg" alt="" width="400" height="546" /></a></p>
<b>HÁ 20 ANOS</b>
Lúcia Helena, mãe de Fabiana, foi assassinada com três tiros pelo homem com quem vivia havia dois anos. No dia 18 de abril de 1989, o juiz de futebol Waldemar Galvão Ribeiro, 51, entrou em uma fabriqueta de calçados na Rua Paschoal Pulicano, próximo à Amazonas, com um revólver calibre 22. O homem chamou Lúcia, mas não esperou que ela se virasse e disparou um tiro em suas costas e mais dois quando ela já estava caída.
Depois de atirar contra a mulher, Waldemar voltou o revólver para o próprio ouvido e disparou. O tiro, no entanto, não o matou. A bala ficou alojada na boca do árbitro, que ficou internado vários dias no CTI (Centro de Terapia Intensivo) da Santa Casa de Franca. Lúcia morreu na hora. “Eu acho que ele queria apenas sair do flagrante. A dona da casa, que morava ao lado deles na Vila Nova, disse que ele judiava demais dela, batia. Ela era caladinha. Às vezes, ela ia lá em casa com manchas roxas pelo corpo, mas não falava nada”, disse Luzia Cruz, irmã de Lúcia.
O motivo do crime, segundo a família, era ciúmes e a recusa da mulher em reatar o relacionamento. “Ele vivia fazendo ameaças, mas mesmo assim ela decidiu sair de casa e foi morar com os pais. Dias antes de morrer, ela havia procurado a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) e registrado mais uma ameaça de morte, contando também que ele tinha comprado uma arma”, disse um familiar.
O homicídio aconteceu exatamente no dia marcado para os dois se encontrarem em audiência na delegacia.
Os familiares da vítima não têm notícias do autor, dizem que ele foi condenado a 14 anos de prisão dos quais apenas quatro teriam sido cumpridos em regime fechado. “As pessoas comentam que encontram com ele por aí, nos bailes. Eu nunca vi”, disse Luzia. Antônio Alves está preso, à espera de seu julgamento.
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