Pobreza avança sobre as famílias de Franca


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<b>DENTRO DA NORMALIDADE</b> - Secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, considera o número de famílias pobres em Franca dentro da média de cidades do mesmo porte
<b>DENTRO DA NORMALIDADE</b> - Secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, considera o número de famílias pobres em Franca dentro da média de cidades do mesmo porte
As estatísticas são diversas e os números não são inteiramente conclusivos, mas assustam. Uma compilação inédita de dados sobre os municípios brasileiros, divulgada ontem pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), indica que Franca tinha, em 2006, 8.828 famílias dentro da linha de pobreza. Compõem esse grupo as famílias cujos membros têm uma renda mensal de até R$ 120 per capta. Considerando que cada família possui cinco membros em média, são 44.140 francanos que sobreviviam com R$ 4 por dia. O valor de um “bolota”. O que é ainda mais alarmante é que dados complementares a esse do IPEA indicam que, com o passar dos anos, o número não parou de crescer. Levantamento consolidado da prefeitura de Franca aponta que atualmente 13 mil famílias vivem abaixo da linha da pobreza, com renda mensal per capta de R$ 140. Outros índices foram divulgados nos últimos anos tentando fazer uma estimativa de quantas famílias carentes vivem em Franca. Em todos eles, a situação é preocupante. Em 26 de fevereiro de 2008, o cadastro único Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Ação Social possuía 12.477 famílias precisando de ajuda. Na época, o Comércio publicou matéria na qual revelava que uma entre cada cinco famílias de Franca era pobre, o que representava 20% da população da cidade. Menos de dois anos depois, o número ultrapassou a casa dos 13 mil e continua crescendo. Segundo o secretário de Ação Social de Franca, Roberto Nunes Rocha, todas se encaixam nos requisitos exigidos pelo benefício do Bolsa Família, mas não existem recursos para atender a todas. “Desse total, 9.673 são atendidas pelo programa”, disse ontem. <b>OUTRO PANORAMA</b> Além das famílias que têm renda per capta de até R$ 140, há aquelas que, apesar de possuírem uma renda maior, também se consideram pobres. São famílias que têm renda per capta de até R$ 232,50 e renda familiar de até três salários mínimos (R$ 1.395), mas que, ainda assim, necessitam de assistência social e tentam se encaixar nos programas da Prefeitura. Levando-se em conta este perfil, o número de famílias sobe para 17.370. O secretário de Ação Social disse também que a cada dia, o cadastro único da secretaria ganha em média 20 novas inserções. “São famílias novas que chegam, pais que perdem o emprego e outras interessadas na isenção de taxas de vestibular, de concurso ou tarifas de água e energia”. <b>COMPARATIVO</b> Apesar deste cenário, para ele, o total ainda é considerado dentro da normalidade, já que está abaixo do apresentado por outras cidades do mesmo porte de Franca. “A média em cidades semelhantes é de 30%, o que daria aproximadamente 112 mil pessoas. Hoje, se considerarmos uma média de seis pessoas por família, o total não chega a 105 mil pobres”, disse Roberto Nunes. Em Piracicaba, que tem pouco mais de 350 mil habitantes, havia 9.969 famílias pobres em 2006. Em São Vicente, no litoral paulista, dos 328 mil habitantes, o total de famílias nessas condições chegava a quase 12,5 mil, segundo o levantamento do Ipea divulgado ontem.

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