Dialeto


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Temos tido no Brasil professores diversos, bons mestres, criando e ensinando a língua, cada um à sua maneira, com erudição ou sem ela, alguns de modo bem desenvolto por motivos também muito discutíveis. Devo esclarecer que não possuo qualquer título conferindo-me direito de crítica a escorregões na língua portuguesa, entretanto, por tão chulos na linguagem de lideres do governo podem ser notados por muitos de mínima instrução. Note-se a liberdade de expressão inadequada nos pronunciamentos veiculados na mídia impressa ou falada por autoridades cujo dever seria de passar exemplos no cuidado com nossa língua. Tivemos no ministro do trabalho Antônio Rogério Magri – governo Collor – um neologismo invejável ao lançar o “imexível” hoje registrado pelo mestre Houaiss seguido do “cachorro também é gente”. Divertiu-se bastante a república na fala ministerial. FHC não deixou por menos e cravou na história o sociologuêz nhém-nhém-nhém, chamou aposentado jovem de vagabundo e jurou que não gosta de buchada de bode quem não morou em Paris onde o prato é destaque. Afirmou igualmente FHC: “nem o presidente nem os ministros são acrobatas de circo para fazer piruetas”. Para fazer justiça somos forçados a reconhecer que nunca o Brasil teve antes um professor como Lula aboletado na aprovação popular que alguém jamais conseguiu. O libertino jeito de colocar vocábulos, propriedade sua também jamais vista no País, tem no currículo, de “sifu” a outras pérolas, uma didática antes nunca conhecida agora instrumentada como exemplo a ser seguido até por ministros mais próximos da realeza que não gosta de ler, talvez porque não saiba. Nunca antes o Brasil assistiu tamanha degradação do vernáculo com Lula nos palanques tentando ser engraçado como Chico Anísio. Muito de seu gosto as comparações misturando jogos de futebol com diplomacia levando ao rés do chão a dignidade da oratória presidencial. Tornado hábito na república por seus mandantes, taxar a imprensa e jornalistas por todas as desgraças que ocorrem, incluindo seus escândalos, o novo aluno e vassalo do rei, ministro da cultura, – atentem bem, cultura – Juca Ferreira, deu provas ao chefe de ter aprendido a lição. Defendendo a impressão de volante publicitário em favor de deputados apaniguados da base de governo, sacou armas com esta respeitosa relíquia: “sou (emocional). Meu pinto, meu estômago, meu coração e minha cabeça são uma linha só”. Dita a frase lapidar de um homem da cultura, fixou o olhar nos jornalistas presentes para afirmar com ênfase: “Vocês são pagos para dizer mentira”. Com aplausos do rei ao vassalo, iremos todos felizes para Maracangalha, mas, ostentando 80% de aprovação. A última do Lula falastrão: “O povo está na merda, quero tirar o povo da merda”. Garcia Netto Jornalista

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