Aquecimento global


| Tempo de leitura: 3 min
Entre os dias 7 e 18 de dezembro, em Copenhague (Dinamarca), acontece um ação mundial (a COP 15 – 15ª Conferência das Partes, ou seja, dos países que participaram da Rio/Eco 92, em 1992 e que assinaram convenção sobre Mudança do Clima) que tem uma importância muito maior do que, infelizmente, os meios de comunicação e a sociedade em geral repercutem. Está sendo discutido o aquecimento global, seus efeitos e, principalmente, o que devemos fazer para contê-lo. Também, quais as medidas e quota de responsabilidade que cada membro do encontro - cerca de 200 países presentes - assumirá. Os discursos feitos até agora são, em alguns casos, contraditórios e retóricos, principalmente por parte dos Estados Unidos. De forma fundamental o que é importante é o compromisso que deve ser assumido pelos países para reduzir a emissão de gases poluentes, cujo principal vilão, o gás carbônico (CO2) é o principal responsável pelo efeito estufa presente no planeta. Esse assunto - aquecimento global - é tema que tem sido mundialmente discutido desde 1972 quando a ONU organizou na Suécia a primeira conferência para discutir o meio ambiente e o aquecimento global. Desde então têm prevalecido os interesses econômicos dos países mais ricos e industrialmente mais desenvolvidos. As razões são óbvias: por serem mais industrializados são os principais poluidores pois, dizem os cientistas e seus estudos, as atividades humanas são as principais responsáveis pelas mudanças climáticas. E são todas as atividades produtivas: energia, indústria, transporte, urbanização crescente, agricultura industrial (incluindo a produção de ração animal, fibra e agro-combustíveis), pesca, mineração etc. O que se pretende é dar continuidade ao Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 e que estabeleceu entre os países signatários, o compromisso de reduzir suas emissões poluentes em pelo menos 5% entre 2008 e 2012, baseado nos níveis detectados em 1990. Agora, na Conferência de Copenhague, pretende-se dar continuidade às reduções a partir de 2012, com mais vigor e maior compromisso. A pressão é enorme sobre os países desenvolvidos e mais ricos, da parte dos países em desenvolvimento e mais pobres. Sabe-se que os países pobres são os que mais sofrem e sofrerão com as mudanças climáticas. A ONU aponta que só no Brasil, entre 1970 e 2008, houve um aumento na ocorrência de eventos climáticos violentos, causadores da morte de mais de seis mil pessoas e prejuízos econômicos de US$ 10 bilhões. A vida sobre a Terra está tornando-se de alto risco. O aquecimento médio, desde o período pré-industrial aumentou em média 0,8º C e espera-se que aumente mais 0,6º C por conta das emissões poluentes já lançadas na atmosfera. Assim, chegamos a 1,4º C o que está próximo de cruzar o limite da estabilidade, o ponto de saturação. Sem exagero, podemos dizer que o que se discute em Copenhague é a sobrevivência do homem a curto e médio prazos. Não é brincadeira e a grande mídia deve tratar desse assunto como assunto de `gente grande`. Certamente, voltaremos a falar sobre ele tão logo tenhamos a conclusão desse encontro, pois há muito a ser debatido. Cassiano Pimentel Agente de exportação e professor universitário

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários