O cachimbo da morte


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Muito se tem feito nos últimos tempos para que as pessoas se previnam contra o uso de drogas. Mas também muito se tem feito, legal ou ilegalmente, para que elas sejam usadas. O crack deixou de ser droga de pobre e chegou à classe média com força total, ganhou as ruas e hoje abastece milhares de viciados, transformando-os em zumbis. No início da década de 60, em Franca, pouco ou quase nada se falava em drogas. Cocaína dificilmente aparecia no noticiário embora se soubesse da existência de consumidores, mas sempre nas altas rodas. O produto era raro, acessível apenas a quem tivesse bom poder aquisitivo. As ruas também eram pacatas e por elas se podia transitar sem riscos de assaltos. Crimes eram raros, exceção para os vigaristas que ludibriavam otários que se achavam espertos, vítimas da ganância, do incontrolável desejo de ganhos fáceis, caídos do céu. Ainda se vivia a comemoração do nascimento de Brasília e a consequente inflação que se seguiu. Também se iniciava o movimento hippie e os Beatles lançavam seu primeiro disco, `Please, Please Me`, em 1962. Franca era uma cidade pacata e seus moradores - hoje ameaçados dentro de suas casas - viviam em paz. Foi na década de 90 que o crack começou a aparecer no Brasil e era, inclusive, evitado pelos grandes traficantes devido ao preço irrisório. As gangues do Rio de Janeiro e São Paulo chegaram a banir o crack de sua área de atuação para que sua comercialização não atrapalhasse negócios mais rendosos como o da heroína e das anfetaminas. Mas, nem a reação da polícia nem dos chefes de quadrilhas foram capazes de deter a rápida disseminação de uma droga que vicia com uma velocidade espantosa e aniquila seu usuário, transformando-o num dependente total, capaz das maiores barbaridades para conseguir sua ração diária da pedra que lhe traz o sonho. O crack é produzido por traficantes com o resto da cocaína. São pedras fumadas em cachimbos improvisados ou misturadas ao cigarro de maconha, criando uma droga chamada mesclado. Vicia rapidamente e destrói neurônios. Seu efeito dura de 5 a 10 minutos, levando ao uso frequente. Depois vem a depressão que só é curada com outra pedra, iniciando-se assim o círculo vicioso. É sempre bom ter em mente que o tráfico de entorpecentes tem duas pontas. Numa estão as quadrilhas, os fornecedores, os atravessadores, gente bem armada e sem nenhum escrúpulo. Na outra ponta, estão os jovens, que como nossos filhos foram educados em outros valores, mas que descambaram para esse abismo sem volta. Um não existe sem o outro. O traficante só sobrevive porque há o viciado para sua mercadoria, que paga caro. Logo, o belo garoto de dezoito anos que fuma por esporte é quem financia o que de pior existe na nossa cultura. Assim sendo, a questão deixa de ser puramente policial e passa a ser médica-social, pois enquanto houver alguém interessado na droga, haverá uma quadrilha para vendê-la. Essa quadrilha é a base e a força financeira do crime organizado que se ramifica por todas as veias da sociedade e hoje nos tira a tranquilidade que existia nos velhos e bons tempos da década de 60. <b>NOVO LIVRO DE GUIDO FIDELIS</b> A RG Editores, de São Paulo, acaba de lançar o livro Dádiva, do escritor Guido Fidelis. Advogado e jornalista, Guido dedica-se às letras. Além de ser autor de mais de 30 obras, entre literatura, obras jurídicas, históricas e, ainda, na área da comunicação social, gosta de divulgar a cultura e incentivar o hábito de leitura. O livro Dádiva é um exemplo do pensar, de levar à luta, de jamais desistir das metas desejadas, nunca esmorecer diante de um obstáculo. Leitura obrigatória. Sucesso, amigo! <b>CIRCULA NA INTERNET</b> 63 pontos de alagamento em São Paulo. A chuva fez mais pontos que o Palmeiras e estaria na Libertadores. Até na tragédia São Paulo é melhor... <b>FRASE</b> `Fumar mata. E, quando morremos, perdemos parte muito importante da nossa vida" (Brook Shields, atriz). <b>NEGATIVO</b> O nosso aguerrido PT, comemorando seu aniversário, vai homenagear nomes importantes da legenda, entre eles José Dirceu. Para quem tem memória fraca, Dirceu foi o criador e articulador do Mensalão, o maior escândalo financeiro de nossa vida pública. O partido não informou se Fernandinho Beira-Mar será igualmente homenageado. <b>POSITIVO</b> Uma das mais antigas formas de caracterização do Natal, o presépio é um enfeite que simboliza o momento do nascimento de Jesus. Há 55 anos Thomaz Tardivo monta essa maravilhosa obra no Clube dos Bagres, na Rua General Carneiro, em Franca. Vale a pena levar seus filhos para ver o presépio ali armado, um dos grandes símbolos religiosos que retrata essa festa cristã. Você verá ali, naquele cantinho de paz, naquele presépio tradicional e armado com amor, o verdadeiro espírito natalino. <b>MARIDO PREVENIDO</b> Ao final da cerimônia funerária de uma mulher, carregadores estavam levando o caixão para fora, quando, acidentalmente, bateram numa parede, deixando a urna fúnebre cair. Eles escutaram um fraco lamento. Abriram o caixão e descobriram que a mulher ainda estava viva. Ela viveu por mais dez anos e, então, morreu. Mais uma vez uma cerimônia foi realizada e, ao final dela, os carregadores estavam novamente levando o caixão. Quando eles se aproximaram da porta, o marido gritou: `Cuidado com a parede!`. <b>Edward de Souza</b> <i>Jornalista e radialista</b> edward@comerciodafranca.com.br

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