Final dos tempos?


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Terremotos matam um milhão de pessoas. Um gigantesco vulcão eclode e meteoritos destroem a face da terra. Tsunamis atingem o litoral e extirpam milhares de vidas na primeira hora. O acontece? Calma. As manchetes são "fake", pelo menos por enquanto... O noticiário apocalíptico descrito acima é uma amostra das previsões para 2012, mais exatamente no dia 21 de dezembro, data cercada de mistérios por guardar algumas das profecias que amedrontam a humanidade. A questão tomou ainda maior dimensão recentemente por ser retratada no filme `2012`, de Roland Emmerich (o mesmo de Independance Day). A história estreou em novembro e tem lotado as salas de cinema em todo o mundo. A superprodução consumiu US$ 200 milhões, é recheada de efeitos especiais e, segundo a revista Variety, arrecadou em seu final de semana de estreia US$ 65 milhões nos EUA e US$ 225 em todo o mundo. Tem como ponto de partida a data citada e a explicação é simples: o 21 de dezembro foi marcado pelos maias como o fim do quinto ciclo de seu calendário. Isso acarretaria uma série de acontecimentos astronômicos naturais em menos de 24 horas. Uma infinidade de sites como o Porque2012.com, além de blogues e portais falam sobre o assunto - muitos de origem duvidosa. Dois mil anos atrás, a civilização pré-colombiana - conhecida por influenciar na divisão do nosso calendário e pela previsão de eclipses - antecipou que nesta data o sol vai se alinhar com o centro da Via Láctea, o que acarretaria desarmonias no planeta. De qualquer forma, se você pensa em fazer uma autoavaliação sobre o que fazer nos próximos pouco mais de três anos (ou 1,1 mil dias) de vida restantes na Terra, comprar livros sobre o Dia do Juízo Final, gastar tudo o que tem com porcarias, fazer uma tatuagem, ver pela trigésima terceira vez o filme Armageddon e cantar I don`t wanna miss a thing do Aerosmith, vá mais devagar. Há muito falatório equivocado, apenas para chamar atenção. Os maias eram ótimos matemáticos, entretanto, segundo Wellington Machado, 48, físico e especialista em Astronomia, além de coordenador do Observatório de Franca, este alinhamento não tem nada de extraordinário e não há provas científicas de que ele exerça influência negativa sobre nós ou mesmo o planeta. De maneira geral, a comunidade científica refuta as teorias do fim do mundo para daqui três anos. Um dos físicos mais conhecidos do País, Marcelo Gleiser, recentemente desmentiu, na Folha Mais!, aspectos divulgados no filme. Ele explica que é improvável, em 2012, acontecer a tal mutação dos neutrinos solares ou "partículas-fantasmas" que atravessam tudo na Terra. Para ele, a previsão "não faz o menor sentido". Cético, Wellington Machado defende que a maioria das teorias não passa de balela para atrair espectadores ao cinema. "É uma lenda sem nenhuma fundamentação científica. 2012 está vendendo bastante por tratar de várias teorias apocalípticas. Mas as pessoas fazem um certo auê", diz. Por outro lado, o físico reconhece existirem fatos que realmente preocupam. A atividade das placas tectônicas - subdivisões da camada mais externa da superfície da Terra, formada por rochas e solo - é uma delas, além, claro, da maneira com que a humanidade cuida do seu "quintal" e pro-blemas climáticos por mau uso dos recursos naturais, além da poluição. Para ele, isso, sim, pode decretar o nosso apocalipse. "A emissão de gases CO2, o controle do degelo, isso é real. Se não tiver um controle, vai estrangular nosso clima. Mas isso não choca as pessoas", afirma Machado.

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