Pensar globalmente, agir localmente. Máxima do pensamento ambientalista o slogan supõe acreditar na base da sociedade. O Brasil jamais será uma nação desenvolvida se desprezar a força dos seus municípios. Responsabilidade socioambiental junto à comunidade.
O mundo anda meio contraditório, misturando o local com o global. Quanto mais se universaliza, mais reforça o vínculo familiar, espaço onde os jovens buscam conforto e segurança, negados pela correria da vida. A cultura se amplia pela fácil comunicação, mídias rápidas escancaram as fronteiras nacionais, mas a população não deixa de se interessar pelo ocorrido no quarteirão. O noticiário bairrista.
Soa paradoxal imaginar um mundo aberto e, ao mesmo tempo, valorizar o limite do chão. Talvez, porém, seja essa a maior das vantagens da globalização. Ela permite às pessoas em geral, e não apenas à elite da sociedade, conhecer realidades distantes sem necessariamente abandonar suas raízes existenciais. No interior, a globalização aprimora o caipirismo.
O governo de São Paulo acaba de divulgar ranking ambiental dos municípios paulistas. Trata-se de uma iniciativa inédita. Avaliados a partir de um plano de ação, elaborado em cumprimento das regras do protocolo que assumem cumprir, as municipalidades receberam uma nota, que varia de zero a 100. Acima de 80 significa bom cumprimento da lição de casa, com direito ao certificado de boa conduta ambiental. É o projeto Município Verde Azul.
Dez são as diretivas ambientais do projeto estratégico que provoca a parceria entre governo estadual e municípios: lixo, esgoto, educação ambiental, arborização urbana, mata ciliar, combate à poluição, habitação ecológica, economia de água, canal de participação civil e estrutura da administração. Resultados concretos ou, pelo menos, propostas de ação mensuráveis e reportáveis devem enfocar os problemas detectados na agenda ambiental. Receita local para o desenvolvimento sustentável.
Governança mundial se exige, certamente, para enfrentar o dilema do aquecimento do planeta. Por isso São Paulo participará com galhardia da reunião de Copenhague, promovida pela ONU, agora em dezembro, ostentando a ousadia de sua política de mudanças climáticas. Rumo à economia verde do futuro.
Ninguém, todavia, mora na ONU. Dizia Franco Montoro, o grande defensor da descentralização política, que as pessoas vivem no município. A cidadania encontra seu melhor espaço de realização na comunidade onde convive. Ali, no clube, na turma da esquina, na igreja, no sindicato, na associação, na escola, na fábrica, na loja, no bar, as pessoas se conhecem, proseiam e exercem sua. militância política, palpitando e participando das decisões que regem seu destino. Globalização provoca anonimato. Comunidade cultiva solidariedade.
Surge o ecocidadão, síntese do saber ecológico com as atitudes positivas. Consciente do mundo, atuante na comunidade. Vale ouro.
Xico Graziano
Agrônomo, é secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo
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