Para explicar o que são métodos anticoncepcionais, qualquer definição não expressaria a sua verdadeira utilidade: eles servem para evitar uma gravidez. Mas assim como namorado, profissão, perfume, comida, lazer, cada mulher tem um que se adequa a sua própria realidade. Não há como eleger o melhor. Este é o que você confia, além de não oferecer contra-indicações. Alguns, no entanto, têm um "plus" a mais, o que o torna mais cômodo, prático ou interessante.
Os métodos se dividem basicamente em cinco tipos. Há os comportamentais, que identificam o período fértil da mulher; os de barreira, que são aqueles que não deixam os espermatozóides subirem através do colo do útero (como camisinha, diafragma); os hormonais, que possuem substâncias que produzem alterações no aparelho genital da mulher (como pílulas, injetáveis); os intra-uterinos, quando um aparelho é introduzido dentro do útero (como o DIU) e os cirúrgicos, que incluem operações feitas tanto no homem quanto na mulher para interromper definitivamente a capacidade reprodutiva (como vasectomia, ligadura de trompas).
Mas afinal existe um mais adequado para adolescentes e jovens e ao mesmo tempo com algum benefício extra? A doutora em Saúde Pública e diretora do curso de enfermagem da Unifran, Glória Lúcia Alves Figueiredo, 46, diante da classificação dos métodos, afirma que nenhuma associação é mais interessante do que a dupla "evitar a gravidez somado a evitar doenças sexualmente transmissíveis", efeitos possibilitados pelo uso da camisinha. "Em virtude de não só evitar uma gestação indesejada, em função das doenças sexualmente transmissíveis, a camisinha é apontada como a primeira escolha. Jovens às vezes não têm uma relação estável e o seu uso é essencial".
A doutora disse também que o que não é indicado para o fim de evitar a gravidez em jovens são os métodos cirúrgicos. Afora a camisinha, ela cita as pílulas de baixa dosagem hormonal. Nessa linha, uma das opções é o Yaz, da Bayer Schering, também chamada de "pílula da TPM", um "combo" que despertou a atenção após lançamento no Brasil há pouco mais de dois anos.
A jovem Adriana*, 20, por exemplo, disse que faz uso desta pílula e só percebeu melhoras em seu organismo. "O médico me indicou mais para TPM (tensão pré-menstrual) do que para não engravidar. E meus sintomas diminuíram muito. Não fico mais nervosa quando vou menstruar e notei também uma melhora na minha pele".
A enfermeira Marcela Manetti, 28, mestre na área, também cita as pílulas de baixa dosagem hormonal, mas pondera que a decisão deve ser tomada com base no perfil de cada um. "É comum que adolescentes se esqueçam de tomar a pílula, por exemplo. É claro que a camisinha é o melhor método sempre. Mas para quem quer associar o seu uso, acho interessante métodos menos invasivos".
Outro método citado por Marcela é o Diu (Dispositivo Intra-Uterino) associado a hormônios. "Antes era indicado apenas para mulheres que já tivessem tido um parto. Hoje existem estudos que mostram sua eficiência para, além de evitar a gravidez, reduzir ou até cessar o fluxo menstrual. O aparelho por si só torna o útero inóspito para a fertilização e, ao mesmo tempo, um dispositivo libera o hormônio para a mulher não ovular. Para quem quer diminuir o fluxo ou até parar pode ser ideal".
Apostando no método, a arquiteta Penélope Duse, 24, é voluntária em uma pesquisa da USP (Universidade de São Paulo). Desde agosto, ela tem em seu útero um Diu com um medicamento (Mirena). "Parei de menstruar completamente.Não tenho dores de cabeça, cólicas e não me sinto inchada".
*Nome fictício a pedido da entrevistada.
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