"É preciso diversificar"


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As multinacionais tratam de convencer os desavisados de que só uma produção em alta escala e a qualquer preço é capaz de abastecer o mercado. Isso explica que ainda exista muita gente confundindo modernização com monopólio ou, no mínimo, a eliminação da concorrência, interesse único de quem busca máxima rentabilidade comercial. Antes de definir liberalização econômica, a expressão "mercado (ou feira) livre" referia-se à alegre encenação mambembe ao ar livre, o mais legítimo dos comércios, que permite ao consumidor olhar o vendedor no olho ao invés de ter que encarar uma prateleira com preços impressos e sem possibilidade de retrucar. Mas o pior não é essa possível `desumanização`, mas que a distribuição vá parar nas mãos de poucos, com a consequente perda da força do componente oferta-demanda e portanto, a ameaça constante de dumping. Antes de defender com tanta convicção a industrialização da agricultura, ou uma pseudo-modernização dos sistemas de estoque e abastecimento, é preciso saber que o mais frágil e também mais importante dos elos da cadeia é o produtor, que merece toda a proteção. O mesmo não se pode dizer de intermediários e especuladores. Na direção oposta, já existe um movimento cada vez mais visível, em busca do retorno ao cultivo natural e o mais próximo possível do consumidor. Além de permitir a produção de alimentos mais saudáveis, tais medidas dispensam a necessidade de longos trajetos no transporte desde o produtor ao consumidor, reduzindo a contaminação ambiental e permitindo que voltemos a consumir alimentos frescos, evitando gigantescas câmaras de armazenamento. Claro que é muito complicado competir com os tubarões do asfalto, que, interessados na superfaturação de obras faraônicas, parecem pretender pavimentar o mundo, erguer gigantescos centros urbanos, completamente desconectados das riquezas da terra.Difícil, sim, mas não impossível. Quanto mais desconfiarmos daqueles que propagam idéias como que as sementes híbridas e transgênicas são a solução para fome mundial ou que a industrialização é o único caminho em direção à modernização, menores serão as probabilidades de seguir fazendo da visita semanal à feira um evento são, social e economicamente. Se ao contrário, cada vez mais acreditarmos na diversificação da atividade econômica não só como solução social como produtiva, maiores são as chances de que nossos filhos saibam que o tomate não nasce na prateleira do supermercado. Carlos Marti Hernandez Madri - Espanha

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