Quem leu a avaliação feita pelo Presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Márcio Pochmann, na abertura de um evento ocorrido no Rio Grande do Sul para tratar do desenvolvimento daquele estado, viu uma visão lúcida, integra e desenvolvimentista sobre o futuro brasileiro.
Márcio Pochmann prega a necessidade de termos uma política nacional de desenvolvimento que integre todos os estados federativos. Afirma, corretamente, que já está superada a idéia de um estado pensar o seu desenvolvimento local desvinculado do conjunto nacional e, como exemplo dessa prática antiga, de pensar e agir isoladamente, cita a guerra fiscal praticada nas últimas décadas por diversos estados brasileiros.
Na sua avaliação é possível estabelecer uma fronteira entre essa prática atrasada de desenvolvimento e o atual momento, extremamente promissor, da conjuntura brasileira. Ele destaca que o crescimento econômico brasileiro, as políticas federais que visam o combate e a redução das assimetrias sociais brasileiras e o sentimento (interno e externo) crescente do nosso valor enquanto nação contribuem para caminharmos na construção de uma estratégia nacional de desenvolvimento.
Por isso, ele defende que o próximo ano eleitoral sirva para a elaboração dessa nova estratégia, considerando que a próxima eleição para Presidente e Governadores não será diferente de outros momentos eleitorais, contaminados com `debates conjunturais determinados por constrangimentos econômicos internos e externos`, pois, além da estabilidade econômica, o Brasil vive uma democracia consolidada e um ótimo momento internacional.
Entretanto, essa sua posição fundamenta-se, evidentemente, em uma visão técnica, pois bem sabemos das dificuldades políticas existentes em uma eleição. Aliás, certamente, veremos o udenismo do PSDB/DEM defendendo sua tese de `Estado mínimo`, em contraposição à tendência mundial de fortalecimento dos Estados e, também, a tergiversar sobre as políticas de inclusão social do Governo Lula.
De qualquer forma, o próximo pleito eleitoral não poderá ignorar os elementos que são, na opinião do presidente do IPEA, cruciais nesse novo modelo a ser discutido de desenvolvimento brasileiro. São eles:
(1) Economia do Conhecimento – Um novo tipo de riqueza está sendo gerado no Brasil. Cerca de 70% dos postos de trabalho oferecidos atualmente são de trabalho imaterial, ou seja, nesses postos as pessoas não têm horários nem locais fixos de atuação.
(2) Sustentabilidade ambiental – O novo desenvolvimento não pode repetir o passado, ou seja, crescer destruindo o meio ambiente. Nessa discussão, as políticas de desenvolvimento precisam levar em conta os seis biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. Além disso, é necessário considerar também o processo de inovação tecnológica que agrava a nossa relação com o meio ambiente.
(3) Nova Demografia – Estamos vivendo um processo de envelhecimento da população e com queda na taxa de fecundidade. Em 2030 seremos 207 milhões de brasileiros (número menor do que projeções anteriores) e apenas 12% da população será de até 15 anos de idade. Essas mudanças implicarão em importantes consequências econômicas, culturais, sociais e educacionais.
Assim, diretrizes importantes estão dadas para pensarmos o grande Brasil que temos e que queremos cada vez maior e melhor.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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