Ritmo de nascimentos cai em Franca


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<b>HERDEIRO</B> - O pintor automotivo Luciano e sua mulher Nislene posam com o pequeno Gustavo, 2, planejado durante cinco longos anos: *A gente pensa na educação que ele terá*
<b>HERDEIRO</B> - O pintor automotivo Luciano e sua mulher Nislene posam com o pequeno Gustavo, 2, planejado durante cinco longos anos: *A gente pensa na educação que ele terá*
O ritmo de nascimentos em Franca atingiu no ano passado o menor número dos últimos nove anos. A constatação é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), que divulgou na última quarta-feira, um levantamento sobre registro civis no País. O estudo mostra que, de 1999 a 2008, o total de crianças nascidas e registradas na cidade caiu 13,4%. Foram 5900 bebês no final da década passada, contra 5107 registrados em 2008. Para o médico ginecologista aposentado Cleomar Borges de Oliveira, a redução dos nascimentos na cidade segue uma tendência mundial, desencadeada pelo acesso mais fácil à informação e a meios anticonceptivos. “No passado esse acesso era menor, limitado e as pessoas precisavam pagar caro pelos poucos métodos existentes na época. Não havia tanto esclarecimento”. Coordenadora do Comitê de Mortalidade Materno Infantil de Franca, a médica ginecologista Ana Lúcia de Castro Rodrigues concorda com o colega de profissão e diz que há nos dias de hoje uma preocupação maior com o futuro e uma ampliação no número de métodos anticonceptivos gratuitos, como pílulas, preservativos, adesivos, DIU e esterilização cirúrgica (ligação de trompas ou vasectomia). “O governo tem dado condições para os pacientes da rede pública se prevenirem”. Segundo a obstetra, a média de filhos por casal tem ficado em 1,7 filho. “Na prática, vemos que os casais têm de um a dois, três no máximo”. O casal Luciano Soares Galetti, 34, e Nislene Valeriano Galetti, 30, planejou durante cinco anos a chegada do pequeno Gustavo, 2. A criança é o primeiro filho do pintor automotivo e da secretária, que só pensam em dar um irmão para menino daqui a dois ou três anos. Na opinião dos pais, nos dias atuais não há como ter vários filhos. “Minha avó teve nove filhos, minha mãe três, eu tenho um e só penso em ter outro para poder dar uma companhia ao Gustavo”, disse a secretária. A decisão de ter apenas um filho, em sete anos de casamento, ocorreu em razão das dificuldades financeiras para a criação. “A gente pensa no futuro, na educação que ele terá. Hoje fica difícil pagar faculdade para cinco filhos”. Professor de economia, Hélio Braga Filho acredita haver uma consciência maior por parte dos casais em relação ao formato da família e ao padrão de vida desejado, além de uma dinâmica de vida diferente da existente até a década de 90. “As pessoas perceberam que a qualidade de vida só aumenta quando se reduz a natalidade”. Segundo o economista, os estudiosos não sabem qual seria a taxa demográfica ideal, porém vê que a queda de nascimentos produz pontos positivos e negativos. “Primeiro ela acarreta uma menor demanda por serviços públicos, mas no futuro pode provocar uma menor redução na oferta de emprego e na necessidade de mais políticas públicas para a terceira idade”.

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