Na primeira feira de domingo depois de ser proibido de gritar, o feirante Paulo César Gadini, 44, viu sua banca virar ponto de parada obrigatória. Para não infringir a determinação da Prefeitura, ele reduziu o tom de voz, mas não parou de anunciar o preço de seus produtos no gogó. Bateu o recorde de vendas. Suas mercadorias se esgotarem em poucas horas. Só os fiscais não passaram por lá.
Após o Comércio ter publicado, na terça-feira, uma matéria sobre a imposição do silêncio por meio de decreto, Paulinho ganhou fama e teve a história contada por TVs e jornais de circulação nacional. A reportagem voltou à feira, no domingo, para acompanhá-lo. A exposição rendeu popularidade, manifestações de apoio e lucros.
Armada no centro da feira, a banca do Paulinho foi, de longe, a que mais recebeu clientes. “É por isto, que eles implicam comigo. Eu vendo bem”, disse enquanto atendia a mais um cliente. O feirante mal teve tempo de dar entrevista tamanho o movimento. Anunciou suas ofertas o tempo todo com mais moderação e, se não pode gritar, inovou na promoção. “Quem levar sete pacotes de mistura, ganha um de banana. Hoje, a banana é de graça, não paga nada”.
Aos poucos, a banca repleta de legumes, verduras e frutas foi se esvaziando. Às 11h30, ele já tinha vendido tudo. Acredita que tenha comercializado cerca de 1,3 mil pacotes de batatas, cenouras, beringelas e alfaces.
Ao mesmo tempo em que escolhiam o que levar para casa, os clientes comentavam a proibição e diziam estar ao lado dele. “Foi um absurdo tentar impedi-lo de gritar. Sempre comprei aqui e nunca me senti incomodada. Acho que o pessoal estava com inveja dele”, disse a gerente comercial Ana Paula David. A dona de casa Rita Moraes também criticou a medida. “Foi uma coisa ridícula o que fizeram”. O casal Luiz Antônio e Anilda Maria comentou que havia outras coisas mais importantes para as autoridades se preocuparem.
Ao contrário das duas semanas anteriores em que foi observado de perto por fiscais para não gritar, anteontem Paulinho teve liberdade e pode se livrar da mordaça. Ninguém da fiscalização foi visto por lá. Mesmo assim, preferiu não arriscar. “Eu gritei baixo”.
A Prefeitura informou que não comentará mais o assunto. A assessoria de comunicação disse que a secretária de Urbanismo, Valéria Marson, tinha autonomia para tomar a decisão, que assuntos menores nem são comunicados ao prefeito e que a proibição de algazarra na feira continua valendo.
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